Brasileiros que vivem nos Estados Unidos demonstram preocupação com a possibilidade de operações da agência de imigração norte-americana, o ICE (Immigration and Customs Enforcement), durante o período eleitoral brasileiro. O receio é tão grande que parte dos eleitores afirma cogitar não comparecer às urnas no primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro.
Diante desse cenário, o Consulado-Geral do Brasil em Nova York adotou medidas para garantir maior segurança aos eleitores. A representação diplomática escolheu um complexo educacional localizado no bairro Queens para sediar a votação de brasileiros residentes em Nova York, Nova Jersey e Filadélfia. A principal vantagem do local é permitir que filas e procedimentos ocorram dentro das instalações, reduzindo a exposição dos participantes em áreas públicas.
O temor está relacionado ao endurecimento das políticas migratórias nos Estados Unidos. Em comunidades com grande presença de imigrantes, muitos brasileiros relatam mudanças na rotina, evitando deslocamentos desnecessários, reduzindo a frequência a locais públicos e acompanhando grupos de mensagens que informam sobre possíveis operações de fiscalização migratória.
Segundo especialistas em legislação migratória norte-americana, agentes do ICE normalmente não podem ingressar em propriedades privadas, como escolas e residências, sem autorização judicial específica. Por isso, grande parte das detenções ocorre em ruas, estacionamentos e outros espaços públicos. Essa característica foi determinante para a escolha do novo local de votação.
O Consulado brasileiro informou que suas instalações tradicionais não comportariam adequadamente o fluxo estimado de quase 50 mil eleitores da região. A expectativa é que o novo espaço ofereça mais conforto, segurança e organização, além de reduzir riscos de aglomerações externas.
A definição do local contou com o apoio da Secretaria de Relações Internacionais da Prefeitura de Nova York e da própria polícia da cidade. Nova York é considerada uma "cidade-santuário", termo utilizado para descrever localidades que não colaboram ativamente com ações federais de imigração, o que contribuiu para a escolha da região.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a comunidade brasileira nos Estados Unidos possui um dos maiores contingentes de eleitores no exterior. De acordo com estimativas do Itamaraty, cerca de 2 milhões de brasileiros vivem atualmente no país, embora apenas uma parcela esteja regularmente cadastrada para participar das eleições brasileiras.
A preocupação das autoridades brasileiras é que o medo de ações migratórias provoque uma redução da participação eleitoral neste ano, afetando o exercício do voto por milhares de cidadãos que vivem fora do Brasil. Por isso, a estratégia adotada em Nova York busca garantir que os eleitores possam comparecer às urnas com maior tranquilidade e segurança.