Trump libera importação adicional de 300 mil toneladas de carne bovina

Medida entra em vigor em 1º de setembro e busca reduzir custo da carne moída para consumidores americanos

Por

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (26) uma proclamação que autoriza a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina magra destinada à produção de carne moída, sem alterar o atual regime de cotas tarifárias do país. A medida terá validade de 90 dias, entre 1º de setembro e o fim de novembro, permitindo a entrada de até 100 mil toneladas por mês.

Segundo a Casa Branca, a iniciativa foi adotada para ampliar a oferta de matéria-prima utilizada na produção de carne moída e ajudar a reduzir os preços pagos pelos consumidores americanos, que enfrentam custos elevados com alimentos e proteínas animais. A administração Trump afirma que a ação é temporária e foi desenhada para atender à demanda do mercado sem comprometer a recuperação do rebanho bovino dos Estados Unidos. 

O governo americano informou que a autorização contempla apenas a importação de cortes magros conhecidos como “lean beef trimmings”, utilizados na mistura com carne produzida nos EUA para fabricação de hambúrgueres e carne moída. A ampliação da cota não se aplica a países que já possuem acordos específicos de livre comércio ou cotas próprias de exportação para o mercado americano. 

Escassez de gado impulsiona preços

A decisão ocorre em um momento de forte pressão sobre o mercado pecuário dos Estados Unidos. O país enfrenta um dos menores rebanhos bovinos das últimas décadas, resultado de anos de seca prolongada, aumento dos custos de produção e redução das áreas de pastagem. Esse cenário elevou os preços da carne bovina a níveis próximos dos recordes históricos. 

Dados citados por analistas do setor apontam que os estoques de gado nos EUA atingiram o menor patamar em cerca de 75 anos, reduzindo a oferta interna justamente em um período de demanda aquecida. A carne moída é um dos produtos mais consumidos pelos norte-americanos e representa parcela significativa do consumo de carne bovina no país. 

Reação do setor pecuário

A medida, entretanto, recebeu críticas de entidades que representam pecuaristas americanos. A Associação Nacional dos Criadores de Gado dos Estados Unidos (National Cattlemen’s Beef Association) argumenta que o aumento das importações pode prejudicar produtores locais e desestimular investimentos na recomposição do rebanho nacional.

Lideranças do setor afirmam que a entrada de carne importada a preços reduzidos pode pressionar o mercado doméstico e dificultar a recuperação dos pecuaristas após anos de perdas causadas por condições climáticas adversas e custos elevados de produção. 

Possíveis reflexos para exportadores

A decisão é acompanhada com atenção por grandes exportadores de carne bovina, entre eles Brasil, Austrália e Argentina, que tradicionalmente abastecem o mercado americano. Embora a proclamação não especifique quais países poderão fornecer o volume adicional autorizado, especialistas avaliam que a medida pode abrir oportunidades comerciais para nações com grande capacidade de exportação. 

Para o Brasil, um dos maiores exportadores mundiais de carne bovina, o anúncio surge em um momento de forte crescimento das vendas externas do setor, podendo representar novas oportunidades caso frigoríficos brasileiros consigam atender às exigências sanitárias e comerciais do mercado norte-americano. 

A expectativa agora é acompanhar se o aumento temporário das importações terá impacto efetivo sobre os preços da carne nos supermercados dos Estados Unidos e quais serão os efeitos sobre o mercado internacional da proteína bovina nos próximos meses.