Algodão de MS sente salto de 3% em NY puxado por crise climática na China

Contratos futuros da pluma dispararam na Bolsa de Nova York nesta quinta, com China e Austrália reduzindo oferta e safra americana em atraso.

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Os preços do algodão registraram uma das maiores altas em semanas na Bolsa de Nova York nesta quinta-feira (27), com contratos futuros avançando mais de 3 cents por libra-peso — uma valorização que chega a 3,68% em um único pregão e já repercute no planejamento dos produtores de Mato Grosso do Sul que cultivam a fibra no estado. O contrato com vencimento em dezembro de 2026 encerrou cotado a 92,34 cents/lb, enquanto o maio de 2027 fechou a 95,37 cents/lb.

A disparada ocorreu num contexto em que três fatores se somaram ao mesmo tempo: lavouras americanas abaixo do desenvolvimento médio histórico, perspectiva de queda na produção chinesa e australiana e um relatório do banco holandês Rabobank apontando para menor disponibilidade global da pluma nas próximas safras. Para o produtor sul-mato-grossense, a alta representa sinal de alerta e oportunidade ao mesmo tempo — a depender de quando foi feita a venda.

Calor extremo na China reduz oferta e empurra preços para cima

O principal gatilho da sessão desta quinta foi o cenário climático no noroeste da China, onde temperaturas próximas de 50°C têm causado danos diretos às lavouras de algodão e milho, acelerando a maturação das plantas de forma precoce. O país é simultaneamente um dos maiores produtores, consumidores e importadores de pluma do mundo — o que faz qualquer desequilíbrio interno na oferta chinesa ter reflexo imediato nos preços globais.

O Rabobank reforça esse cenário em relatório recente: além da China, a Austrália também deve registrar queda na produção por condições climáticas desfavoráveis. A combinação de menos oferta dos dois países pressiona os compradores a buscar mais volume no mercado internacional, puxando as cotações em Nova York para cima.

EUA com lavouras atrasadas e vendas externas em queda

Nos Estados Unidos, os dados da safra 2026/27 também não animam: segundo o USDA (Departamento de Agricultura americano), as condições das lavouras estão abaixo dos índices registrados no mesmo período do ano passado, e o desenvolvimento da safra acumula atraso em relação à média histórica. As vendas para exportação na semana encerrada em 20 de agosto somaram 95.726 fardos, volume 46,62% menor do que no mesmo período de 2024.

Por outro lado, os embarques foram robustos: 181.025 fardos saíram dos portos americanos na mesma semana, alta de 60,69% na comparação anual. O Rabobank avalia que a taxa de abandono das áreas cultivadas nos EUA tende a ser menor do que em ciclos anteriores, justamente porque a recuperação dos preços em Nova York torna o cultivo mais atrativo para o produtor americano. Para o consumo, o banco projeta demanda estável — diferente do crescimento de 1,7% previsto pelo USDA —, citando incertezas macroeconômicas globais.

O que a alta significa para o algodão cultivado em MS

Mato Grosso do Sul ocupa posição relevante no mapa cotonicultor brasileiro, com produção concentrada principalmente na região do Cone Sul e em áreas do norte do estado, como Chapadão do Sul e Costa Rica, onde o algodão integra rotação com soja e milho. Quando as cotações em Nova York sobem com essa velocidade, o impacto chega diretamente ao preço da pluma negociada no mercado doméstico, já que o Brasil é um dos principais exportadores mundiais da fibra e os contratos internos são indexados à referência de NY.

Para quem ainda tem algodão em carteira sem preço fixado, a alta desta quinta representa uma janela de valorização. Para quem já vendeu antecipadamente abaixo das cotações atuais, o movimento reforça a importância de estratégias de hedge. O cenário também tende a influenciar as decisões de plantio para a próxima safra: com preços mais atrativos, a tendência é que a área cultivada em MS aumente, especialmente em regiões onde o algodão compete diretamente com a soja pela preferência do produtor. O mercado aguarda novos dados do USDA e atualizações do Rabobank para avaliar se o movimento tem fôlego para se sustentar nas próximas semanas.

Fontes: USDA, RABOBANK, BARCHART