Colchão pegou fogo dentro da rodoviária de Nova Andradina, alerta para risco maior
Terminal inaugurado em 1994 acumula banheiros sem portas, infiltrações e uso como abrigo noturno irregular, enquanto usuários relatam medo e constrangimento.
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Um colchão incendiado no interior do Terminal Rodoviário Décio de Azevedo Mattos, em Nova Andradina, escancarou o nível de abandono em que se encontra o principal ponto de embarque e desembarque da cidade no extremo sul de Mato Grosso do Sul. O episódio, ocorrido recentemente, poderia ter destruído o prédio inteiro — construído em setembro de 1994 — e gerou indignação entre passageiros, comerciantes e trabalhadores do espaço.
O terminal serve de porta de entrada para uma das cidades mais importantes do Vale do Ivinhema, recebendo diariamente viajantes, estudantes e profissionais que chegam do interior do estado ou de outras regiões do país. Mas quem desembarca ali, há anos, encontra um cenário que contrasta com a robustez arquitetônica da obra original: banheiros com louças quebradas e boxes sem porta, telhado com infiltrações, pintura descascada e ausência de fiscalização noturna.
Incêndio dentro do terminal expõe falta de controle de acessoO fogo no colchão não foi um acidente isolado — foi a consequência mais dramática de um problema que se arrasta sem solução: o uso irregular do terminal como abrigo por pessoas em situação de rua. Sem policiamento permanente e com iluminação deficiente em vários pontos, o prédio virou destino noturno de quem não tem onde dormir. "A situação fugiu do controle. O ápice do perigo foi esse colchão que pegou fogo aqui dentro. Poderia ter queimado o prédio inteiro ou ferido alguém. Não temos segurança nenhuma para trabalhar ou esperar um ônibus", relatou um trabalhador do local, que pediu para não ser identificado.
Outro funcionário que acompanha a degradação há anos foi ainda mais direto sobre o risco financeiro e social da omissão: "O governador Pedrossian fez uma obra para durar décadas, mas se não fizerem uma reforma urgente, o prejuízo será imensamente maior do que o custo de uma intervenção agora". A estrutura de concreto resiste ao tempo, mas a ausência de manutenção preventiva acelera um processo que, segundo quem circula diariamente pelo espaço, já é visível em todos os setores.
Banheiros inutilizáveis são a reclamação mais frequente dos usuáriosSe o incêndio foi o sinal mais grave, o estado dos sanitários públicos é o problema que mais afeta o cotidiano de quem depende do terminal. Vazamentos constantes, ausência de portas nos boxes e louças danificadas tornam o uso dos banheiros uma experiência degradante — especialmente para idosos e famílias com crianças pequenas, grupos que mais dependem de infraestrutura adequada nos terminais de transporte público.
"Quem chega à cidade pela primeira vez tem uma péssima impressão. O banheiro é inutilizável em vários momentos do dia. É constrangedor ver idosos e mães com crianças tentando usar um local sem a mínima condição sanitária. A estrutura da rodoviária é fantástica, mas parece abandonada", disse uma usuária frequente do transporte intermunicipal, que também preferiu o anonimato. O telhado com infiltrações em dias de chuva e a pintura deteriorada completam o quadro de abandono visual que se impõe a quem entra no prédio.
Nova Andradina aguarda resposta da gestão pública sobre reformaA situação do terminal de Nova Andradina não é um caso isolado no estado. Em Campo Grande, a antiga rodoviária da capital convive com problemas semelhantes de ocupação irregular e deterioração, um cenário que se repetiu durante os anos em que o novo projeto permaneceu inacabado. A diferença é que a capital dispõe de maior pressão política e visibilidade midiática para forçar providências.
Em Nova Andradina, cidade com papel estratégico no escoamento de pessoas e mercadorias na região do Vale do Ivinhema, a rodoviária precisa funcionar como vitrine do município — e hoje funciona como símbolo do oposto. A revitalização dos sanitários, o reforço na vigilância e a recuperação da estrutura física são intervenções que especialistas em gestão pública classificam como básicas e urgentes para qualquer terminal de passageiros. Sem prazo anunciado pela prefeitura ou pelo governo estadual para obras, quem utiliza o espaço segue aguardando — e temendo o próximo incidente.
Fontes: NOVA FM 96.1