Déficit hídrico acima de 50 mm ameaça plantio da soja no Centro-Oeste antes do vazio sanitário
Com o fim do vazio sanitário se aproximando em setembro, produtores de MS entram em alerta diante da seca que avança sobre áreas do Centro-Oeste e pode comprometer o início da temporada.
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A soja fechou o pregão desta terça-feira (25) em alta na Bolsa de Chicago, com os contratos mais negociados subindo entre 3,50 e 4,50 pontos — o contrato de novembro voltou a US$ 12,27 por bushel e o de março a US$ 12,48. A recuperação veio depois de uma abertura fraca, sustentada por uma compra surpresa de 132 mil toneladas pelos Estados Unidos divulgada pelo USDA (Departamento de Agricultura americano). Mas, enquanto o mercado externo oscila, é o mapa climático do Brasil que mais preocupa os agricultores sul-mato-grossenses neste momento.
O motivo é direto: em setembro, o vazio sanitário termina em boa parte das regiões produtoras do país, incluindo Mato Grosso do Sul, e o plantio da nova safra estará liberado. Com as lavouras ainda no papel, qualquer déficit de umidade agora já prejudica o preparo do solo e pode atrasar a semeadura — o que, em cascata, afeta o potencial de produção da temporada inteira.
Seca no Centro-Oeste coloca MS em alerta antes mesmo do plantioO monitoramento climático indica que áreas do Centro-Oeste e do Centro-Norte do Brasil estão enfrentando baixa umidade e déficit hídrico que pode superar 50 milímetros em algumas regiões nos próximos dias. Para o produtor de Mato Grosso do Sul, esse cenário chega num momento delicado: o período de preparação do solo, compra de insumos e ajuste de planejamento para a safra 2025/26 está em curso, e a escassez de chuvas aumenta o risco operacional logo na largada.
A situação climática interna contrasta com o cenário norte-americano, que segue relativamente favorável ao desenvolvimento das lavouras nas principais regiões do Meio-Oeste dos EUA — o que contribui para manter a pressão sobre os preços internacionais. Mesmo assim, o próprio USDA registrou ontem uma nova queda no índice de lavouras americanas classificadas como boas ou excelentes, o que ajudou a sustentar as cotações durante o pregão desta terça.
Safra recorde nos EUA segura o preço, mas abre espaço para o BrasilO instituto Pro Farmer estimou a safra de soja norte-americana em 124,4 milhões de toneladas — acima do que o próprio USDA havia projetado. Se confirmada, essa produção representa ampla oferta da oleaginosa nos mercados globais e tende a limitar a recuperação mais consistente dos preços no curto prazo. A queda expressiva do petróleo também pesa contra a soja, já que parte da demanda pela oleaginosa está ligada à produção de biodiesel.
Para o Brasil, e especialmente para Mato Grosso do Sul, o excesso de oferta americana pode parecer má notícia, mas há um contraponto: compras antecipadas de soja brasileira para o segundo semestre de 2025 e para 2026 têm avançado no mercado de exportação. O estado, que figura entre os principais produtores nacionais, tende a ganhar protagonismo se o clima cooperar na abertura da safra — cenário que hoje ainda é incerto.
O que os produtores sul-mato-grossenses devem observar agoraCom o fim do vazio sanitário chegando em setembro em diversas regiões de MS, o mercado já começa a precificar a nova safra sul-americana. A janela de plantio ideal é estreita, e atrasos provocados pela falta de umidade no solo podem forçar o produtor a semear em condições abaixo do recomendado ou a comprimir o calendário agrícola, aumentando a pressão sobre colheita e logística nos meses seguintes.
No complexo soja, os futuros do farelo voltaram ao campo positivo durante o pregão, enquanto o óleo reduziu as perdas. O sinal misturado reflete um mercado que ainda tenta equilibrar a perspectiva de oferta farta nos EUA com a demanda firme e as incertezas climáticas que se avolumam no Hemisfério Sul — justamente onde Mato Grosso do Sul está posicionado para ser protagonista nos próximos meses.
Fontes: USDA, PRO FARMER, NOTÍCIAS AGRÍCOLAS