Café dispara no mercado internacional e preço chega a R$ 2 mil por saca

Estoques apertados, incertezas climáticas e preocupação com a oferta global impulsionam cotações do arábica

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O mercado do café voltou a registrar forte valorização nesta semana. Na Bolsa de Nova York, principal referência global para o café arábica, os contratos futuros encerraram o pregão de segunda-feira (24) com alta próxima de 5%, refletindo a preocupação dos investidores com a disponibilidade mundial do produto e a manutenção da demanda em níveis elevados.

Os ganhos também chegaram ao mercado físico brasileiro. Em Varginha (MG), um dos principais polos cafeeiros do país, o café cereja descascado alcançou a marca de R$ 2 mil por saca, reforçando o momento de valorização vivido pelo setor.

Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em setembro fechou cotado a 377,75 centavos de dólar por libra-peso, enquanto os contratos de dezembro e março de 2027 também registraram fortes avanços. Os ganhos variaram entre 1.700 e 1.900 pontos ao longo da sessão.

Entre os fatores que sustentam a alta está a situação dos estoques certificados de café arábica monitorados pela ICE, que permanecem em níveis historicamente baixos. O volume disponível para entrega segue reduzido, limitando a margem de segurança do mercado diante de possíveis problemas de oferta nos principais países produtores. 

Analistas apontam que os estoques chegaram a ficar abaixo de 230 mil sacas, patamar considerado apertado para um mercado global de grande consumo. Nesse cenário, qualquer sinal de risco climático ou redução da produção provoca reações imediatas nas bolsas internacionais. 

O Brasil continua sendo o principal centro das atenções dos compradores internacionais. Apesar do avanço da colheita da safra 2026, o mercado ainda busca dimensionar o volume efetivamente disponível para exportação e para recomposição dos estoques mundiais. A avaliação é que uma safra maior não significa, necessariamente, recuperação imediata dos estoques globais. 

Outro fator que mantém os investidores em alerta é o fenômeno El Niño. A possibilidade de impactos climáticos em importantes regiões produtoras, como Brasil, Vietnã e Indonésia, aumenta as preocupações sobre a oferta futura da commodity. A produção colombiana também segue sendo acompanhada de perto pelo mercado internacional. 

Além da restrição na oferta, os embarques brasileiros continuam aquecidos. Dados recentes do setor indicam forte ritmo nas exportações de café, reforçando a procura internacional pelo produto brasileiro em um período marcado pela redução dos estoques globais. 

Especialistas destacam que a volatilidade deve continuar nas próximas semanas. Com estoques reduzidos, clima incerto e demanda firme, o mercado segue sensível a qualquer informação relacionada à produção e à disponibilidade física do café. 

Para os produtores, o cenário representa oportunidade de rentabilidade elevada. Já para a indústria e os consumidores, a valorização da matéria-prima pode manter a pressão sobre os preços do café ao longo dos próximos meses.