A Funsat (Fundação Social do Trabalho) abriu nesta segunda-feira (24) a segunda edição do Primt Itinerante em Campo Grande, levando as inscrições do Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho diretamente aos bairros da capital — sem que o candidato precise se deslocar até uma unidade central. O primeiro ponto foi o CRAS Valéria Lopes da Silva, na Vila Popular, onde 80 senhas foram disponibilizadas a partir das 7h e 102 pessoas compareceram já no primeiro dia.
A iniciativa itinerante existe porque parte significativa do público-alvo do Primt enfrenta dificuldades de transporte e tempo para acessar os serviços da Funsat em dias úteis. Ao circular pelos bairros, a Funsat reduz essa barreira e, na prática, amplia o número efetivo de inscritos — algo que ficou evidente na fila da Vila Popular, formada ainda antes do amanhecer.
Rosângela Garcia Soares, 50 anos, chegou ao CRAS às 6h30 e pegou a senha 66. Metalúrgica de formação, ela admite que a especialização que a distinguiu por anos agora dificulta a recolocação. "Está difícil emprego, por isso esta chance tem muito valor para mim. Meu último trabalho foi em uma empresa de metalúrgica, algo específico, o que me atrapalha agora a conseguir outra coisa", contou. Junto dela estava a filha Jéssica Soares Pimenta, 30 anos, moradora do Nova Campo Grande, que soube do programa por uma amiga já participante. "No caso dela, ajudou bastante, tanto na renda mensal quanto na possibilidade de ter mais tempo com os filhos", disse Jéssica.
Almiro Reis Ramos, 55 anos, saiu do Tiradentes para participar da ação na Vila Popular. Desempregado formalmente desde 2024, ele vive de trabalhos autônomos e vê no Primt uma chance de recomeçar com regularidade. "Conseguindo a aprovação, vou olhar todo dia o Diário Oficial", afirmou. Já Evelyn Nunes Votta, 18 anos, do Jardim Aeroporto, nunca teve carteira assinada mesmo com experiência como auxiliar administrativa. Para ela, os cursos profissionalizantes do programa são o principal atrativo. "No Primt, vejo que poderei me especializar melhor nesta função, com a tranquilidade de ter uma renda", relatou.
Kelli Batista, 37 anos, moradora do Santa Mônica, foi direta ao apontar o que torna a edição itinerante diferente da anterior. "Só consegui participar por visitarem a minha região", disse ela, que conheceu o programa por uma reportagem e participava pela primeira vez. A declaração resume o problema que a Funsat tenta resolver: em edições presenciais concentradas, moradores de regiões afastadas simplesmente não comparecem.
No total, esta segunda edição do Primt Itinerante prevê 400 inscrições, distribuídas em cinco dias de atendimento em diferentes regiões de Campo Grande, com 80 senhas por data. Após o encerramento de todas as etapas, a Funsat publicará no Diogrande a lista oficial de classificados, contemplando ampla concorrência e cotas.
O Primt não é uma vaga de emprego convencional: combina bolsa mensal com cursos profissionalizantes, funcionando como uma ponte entre o desemprego e o mercado formal. É justamente essa combinação — renda imediata mais qualificação — que explica filas formadas antes das 7h em bairros da periferia de Campo Grande. Maristela Escolhante de Brito Lopes, 39 anos, ex-operadora de caixa, resumiu a expectativa: "Para mim, vai ser a oportunidade de fazer cursos que me ajudem a ter mais chances no mercado de trabalho. Só assim a gente melhora".
Para acompanhar o cronograma das próximas datas e regiões do Primt Itinerante, os interessados devem ficar atentos às publicações oficiais da Funsat e ao Diogrande. Documentação e informações adicionais estão disponíveis nos perfis oficiais da fundação nas redes sociais.
Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE, FUNSAT