15 escritoras de axé lançam livro coletivo na Casa de Cultura de Campo Grande

Projeto Ọkàn traz memórias e vivências de mulheres de tradição africana em sua segunda edição, nesta quinta (20), às 19h, em Campo Grande.

Por
15 escritoras de axé lançam livro coletivo na Casa de Cultura de Campo Grande
Divulgação

A Casa de Cultura de Campo Grande recebe nesta quinta-feira (20), às 19h, o lançamento da segunda edição do projeto literário Ọkàn — uma publicação coletiva que reúne 15 escritoras de diferentes estados do país em torno das memórias, espiritualidade e experiências de mulheres ligadas às tradições de matriz africana. O evento é aberto ao público e os exemplares estarão à venda no local.

O projeto nasceu em 2024 com uma proposta clara: dar forma literária ao que seus idealizadores chamam de literatura de axé — narrativas que resistem ao apagamento cultural e preservam memórias de comunidades de terreiro. O nome Ọkàn vem do iorubá e carrega duplo sentido: coração e consciência. Não por acaso, a escolha da palavra resume a intenção da obra.

De cinco para quinze vozes: a expansão de uma literatura de resistência

A primeira edição do projeto, lançada em 2024, contou com cinco autoras. Para esta segunda edição, a publicação cresceu três vezes em número de vozes: são agora 15 escritoras que assinam Ọkàn Omi — nossas águas, memórias e escrevivências, título que já revela o fio condutor da obra — a água como símbolo de ancestralidade e fluxo de memória nas tradições afro-brasileiras.

O projeto é organizado pelas escritoras Sarah Muricy e Adrianna Alberti, que construíram um circuito de lançamentos que passou por eventos de peso no calendário literário nacional: a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a Flipei e, em 14 de agosto, a Felit, em Dourados. Campo Grande é a mais recente parada dessa rota.

Campo Grande no circuito literário de matriz africana

O lançamento na capital sul-mato-grossense reúne escritoras, sacerdotes de matriz africana e leitores num evento que vai além da apresentação comercial de um livro. A proposta é criar um espaço de encontro entre a literatura e a comunidade de terreiro de Campo Grande — uma presença histórica e numerosa na cidade, mas ainda pouco representada nas vitrines culturais institucionais.

A passagem do projeto por Dourados, dias antes de chegar à capital, evidencia a estratégia de construir um percurso dentro do próprio Mato Grosso do Sul, reconhecendo a diversidade cultural do estado como palco legítimo para uma literatura que dialoga com raízes africanas, memória oral e escrita autoral feminina.

Como participar e adquirir os exemplares

Os livros da coleção estarão disponíveis para compra durante o evento na Casa de Cultura. Quem não puder comparecer pode fazer encomendas pelo telefone (67) 99983-0494, diretamente com Sarah Muricy. O lançamento começa às 19h desta quinta-feira (20).

A chegada do projeto a Campo Grande representa mais um passo na construção de uma cena literária que valoriza identidades historicamente marginalizadas — e que encontra, nas páginas do Ọkàn Omi, um espaço de memória, celebração e pertencimento.

Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE


Notícias Relacionadas »