Em Campo Grande, 218 das 227 equipes de saúde já atingem nível bom ou ótimo

Evento realizado na UFMS reuniu gestores e profissionais para analisar indicadores do primeiro quadrimestre de 2026 e traçar metas para a atenção básica na capital.

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Em Campo Grande, 218 das 227 equipes de saúde já atingem nível bom ou ótimo
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Das 227 equipes de Saúde da Família avaliadas em Campo Grande no primeiro quadrimestre de 2026, 218 já alcançaram classificação boa ou ótima — um salto expressivo em relação ao mesmo período do ano anterior, quando dezenas ainda figuravam na faixa regular. Os números foram apresentados nesta quinta-feira, 20, durante a Convergência APS 2026, evento realizado no auditório da UFMS que reuniu profissionais, gerentes e gestores da rede municipal de atenção primária.

O encontro marca uma virada de chave na forma como a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) acompanha sua própria rede. Em vez de medir o desempenho apenas internamente, a gestão passou a usar os registros do sistema federal PEC/e-SUS — alimentado pelas próprias equipes — como espelho público dos resultados, com critérios avaliados pelo Ministério da Saúde. A transparência, segundo o secretário Marcelo Vilela, é parte da estratégia, não um efeito colateral.

Queda no número de equipes com desempenho regular

O dado mais revelador da apresentação é a redução das equipes classificadas como regulares: eram 61 no início de 2025 e caíram para 28 no mesmo período deste ano. No outro extremo, 69 equipes chegaram à classificação ótima e outras 55 se mantiveram no nível bom. "Das 227 equipes de saúde da família avaliadas, 218 estão em nível bom. O nosso objetivo este ano é que 100% das equipes estejam classificadas como boa ou ótima", disse Ana Paula Resende, superintendente da Rede de Atenção Primária à Saúde da Sesau. A meta não é apenas estatística: ela determina o volume de recursos federais que o município pode captar pelo Programa Previne Brasil, que vincula repasse financeiro ao desempenho dos indicadores.

O secretário Marcelo Vilela reconheceu que boa parte desse trabalho acontece longe dos holofotes. "É um trabalho diário, muitas vezes feito em silêncio, e que precisa ser mostrado para a população. Temos que dar transparência ao que está sendo feito na rede", afirmou. A fala resume a proposta da Convergência APS: tornar visível o que já funciona e usar esse espelho para corrigir o que ainda precisa melhorar.

Gestação, infância e prevenção do câncer como prioridades

Além dos números gerais, o evento definiu três eixos prioritários para concentrar esforços das equipes ao longo do ano: acompanhamento da gestação, desenvolvimento infantil e prevenção oncológica. A escolha reflete lacunas históricas na atenção básica brasileira — e Campo Grande não é exceção. O acompanhamento pré-natal ainda apresenta cobertura desigual entre territórios, assim como a detecção precoce de cânceres de colo de útero e mama, indicadores diretamente cobrados no sistema federal de avaliação.

A metodologia do encontro foi inspirada no Design Thinking, com etapas de análise de problemas, ideação e planejamento participativo. A chamada "Mesa de Inspiração" deu voz a gerentes de unidades que participaram do Projeto Qualifica APS, parceria com a Fiocruz: cada representante descreveu um problema enfrentado, o que foi feito, o resultado obtido e a lição aprendida — um formato pensado para que boas práticas de um bairro possam ser adaptadas a outros territórios da cidade.

Aprendizagem permanente como modelo de gestão em Campo Grande

O diretor da Escola Pública de Saúde da Sesau, Júlio Ricardo França, resumiu a ambição de longo prazo por trás da iniciativa. "A proposta é transformar as unidades de saúde em espaços permanentes de aprendizagem e inovação, utilizando informações concretas do cotidiano para orientar decisões e qualificar o atendimento oferecido às pessoas", destacou. A coordenadora-geral do Projeto Qualifica APS na Fiocruz, Dinaci Ranzi, também esteve presente e reforçou a parceria: "Não tenho dúvida de que com o apoio que temos recebido nós podemos caminhar para continuar contribuindo para a qualificação da atenção primária na nossa capital".

Campo Grande opera hoje com uma das maiores redes municipais de atenção primária do Centro-Oeste, com mais de duas centenas de equipes distribuídas por territórios com perfis socioeconômicos bastante distintos. Chegar à marca de 100% das equipes em nível bom ou ótimo até o fim de 2026 seria inédito para a capital e colocaria o município entre referências nacionais no modelo do Previne Brasil — o que, na prática, se traduz em mais recursos federais repassados diretamente para a saúde de quem mora na cidade.

Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE, SESAU


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