INSS nega mais benefícios e número de indeferimentos cresce 70% no primeiro semestre
Redução da fila de espera vem acompanhada de aumento expressivo nas negativas; especialistas alertam para a necessidade de atenção na análise dos pedidos
O número de pedidos de benefícios negados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aumentou cerca de 70% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. Dados do Boletim Estatístico da Previdência Social mostram que os indeferimentos passaram de aproximadamente 2,5 milhões entre janeiro e junho de 2025 para 4,3 milhões no mesmo período deste ano.
O avanço das negativas ocorre ao mesmo tempo em que o governo federal comemora a redução da fila de requerimentos do INSS. Após atingir o recorde de 3,1 milhões de pedidos pendentes em fevereiro, o estoque de processos caiu para cerca de 1,5 milhão em julho.
Segundo o Ministério da Previdência Social, a média mensal de benefícios negados entre janeiro e maio chegou a 668,6 mil pedidos, contra 395 mil no mesmo período de 2025. O volume é o maior registrado desde 2021.
Negativas superam concessões
Os números chamam atenção porque, pela primeira vez em anos, os indeferimentos superaram as concessões de benefícios. Entre janeiro e junho de 2026, o INSS concedeu cerca de 4,24 milhões de benefícios, enquanto negou mais de 4,31 milhões de solicitações.
Somente em junho, foram registrados mais de 938 mil pedidos negados, ante cerca de 792 mil benefícios aprovados.
De acordo com o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, o aumento das negativas não é o principal fator para a redução da fila. Ele afirma que também houve crescimento no número de processos analisados e benefícios concedidos, impulsionado por ações para acelerar o atendimento.
Benefícios por incapacidade lideram negativas
O levantamento revela ainda que os benefícios por incapacidade concentram a maioria dos indeferimentos. Foram mais de 2,7 milhões de negativas relacionadas a auxílios por incapacidade temporária e aposentadorias por incapacidade permanente, o equivalente a cerca de 64% de todos os pedidos rejeitados no semestre.
Entre os motivos mais comuns para o indeferimento estão ausência de documentação, inconsistências no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), falta de comprovação de requisitos legais, perda da qualidade de segurado e não reconhecimento da incapacidade em perícias médicas.
Especialistas recomendam atenção
Especialistas em Direito Previdenciário alertam que uma negativa do INSS não significa necessariamente que o segurado não tenha direito ao benefício. Em muitos casos, o problema pode estar relacionado à documentação apresentada ou a falhas de registro nos sistemas previdenciários.
A orientação é que o cidadão verifique detalhadamente o motivo do indeferimento por meio da plataforma Meu INSS antes de realizar um novo pedido. Dependendo do caso, é possível apresentar recurso administrativo ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) dentro do prazo legal.
Impacto para os segurados
Embora a redução da fila seja considerada positiva por garantir respostas mais rápidas aos segurados, o aumento expressivo das negativas acende um alerta sobre a qualidade das análises realizadas pelo instituto. Especialistas defendem que a busca por maior agilidade não pode comprometer o reconhecimento de direitos previdenciários e alertam para o risco de aumento da judicialização dos casos.