Campo Grande e Dourados chegam a 32°C enquanto ciclone avança no Sul

Sistema extratropical formado entre Rio Grande do Sul e Uruguai reorganiza o tempo no país e mantém MS sob calor intenso e tempo seco nesta semana.

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Enquanto um ciclone extratropical se consolida entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai a partir da madrugada desta quinta-feira (20), Campo Grande e Dourados seguem sob calor intenso — com temperaturas que podem alcançar 32°C — e sem perspectiva de chuva significativa nos próximos dias. O sistema meteorológico, que já começava a se formar na quarta-feira (19), traz risco de temporais, granizo e rajadas de vento para o Sul do país, mas mantém Mato Grosso do Sul no domínio de uma massa de ar quente e seco.

A ciclogênese — nome técnico para o processo de formação de ciclones — foi identificada a partir da interação entre o ar quente e úmido presente na região Sul e a entrada de frente fria vinda do sul do continente. O meteorologista Denis William Garcia, da Meteored, acompanha o desenvolvimento do sistema e aponta que seu deslocamento deve ser rápido em direção ao Oceano Atlântico, o que limitará os efeitos mais severos ao território continental, concentrando-os principalmente no extremo Sul.

Temporais, granizo e ventos fortes no extremo Sul do Brasil

A área de maior risco concentra-se no Rio Grande do Sul, no oeste de Santa Catarina e no sudoeste do Paraná. Nessas regiões, a previsão aponta para chuvas intensas, trovoadas, rajadas de vento e, de forma pontual, granizo. "A gente tem, ao longo desta quarta-feira, a ciclogênese, que é esse processo de formação do ciclone", explicou Garcia, ressaltando que o sistema deve se intensificar ao longo da madrugada e organizar uma frente fria com alcance progressivo pelo continente.

O avanço em direção ao oceano amplia a diferença de pressão atmosférica e, consequentemente, a intensidade dos ventos. Entre sábado (22) e domingo (23), o litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e o sul de Minas Gerais devem ser os mais afetados pela passagem da frente fria associada ao sistema. No interior paulista e no Triângulo Mineiro, os efeitos tendem a ser mais brandos, com rajadas de vento estimadas entre 40 e 45 km/h.

Frente fria avança pelo Sudeste entre sexta e o fim de semana

O Sudeste começa a semana ainda sob influência do calor e da baixa umidade, com destaque para o interior de São Paulo e Minas Gerais, onde o tempo permanece seco na quarta-feira. A mudança ganha força a partir de sexta-feira (21), quando a frente fria associada ao ciclone extratropical alcança o estado de São Paulo, o Rio de Janeiro e o sul mineiro, trazendo aumento da nebulosidade e maior probabilidade de chuva. "A frente fria também vai atingir outros estados", afirmou Garcia, ao detalhar o trajeto do sistema ao longo dos próximos dias.

O contraste entre as regiões é significativo: enquanto o Sul se prepara para condições adversas, o Centro-Oeste, o Norte e grande parte do Nordeste seguem com calor fora do comum. Em Cuiabá (MT), as temperaturas podem bater 38°C, e em Marabá (PA) e Porto Velho (RO), a previsão é de até 39°C.

Mato Grosso do Sul: calor de até 32°C em Campo Grande e Dourados

Em Mato Grosso do Sul, o cenário desta semana é de calor persistente e tempo seco. Campo Grande e Dourados devem registrar máximas de 32°C nesta quarta-feira, sem previsão de chuva relevante associada ao ciclone. O estado permanece sob domínio da massa de ar quente que cobre grande parte do Brasil central, afastada da área de influência direta do sistema extratropical.

O quadro reforça a necessidade de atenção aos efeitos do calor e da baixa umidade relativa do ar, especialmente para populações mais vulneráveis em centros urbanos como a capital. A situação tende a se manter ao longo da semana, sem perspectiva de alívio térmico expressivo até que a frente fria — já enfraquecida após atravessar o Sudeste — eventualmente alcance latitudes mais ao norte do país nos próximos dias. No litoral do Nordeste, pancadas de chuva seguem concentradas na faixa costeira da Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte e trechos do Ceará e Maranhão, enquanto o interior permanece seco.

Fontes: METEORED, NOTÍCIAS AGRÍCOLAS