Incêndio em chácara de MT acende alerta para o Pantanal sul-mato-grossense
Fogo atingiu área de mata a 40 km de Lucas do Rio Verde neste domingo; MS também está sob restrição de queimadas até novembro.
Divulgação
Um incêndio em área de mata numa chácara da zona rural de Lucas do Rio Verde (MT), registrado por volta das 11h41 do domingo (16), reacende o alerta sobre o risco de queimadas em toda a região Centro-Oeste no período mais crítico do ano. Moradores da propriedade e vizinhos conseguiram conter parte das chamas antes mesmo da chegada do Corpo de Bombeiros, que completou o combate e realizou o rescaldo da área para eliminar focos residuais. Ninguém ficou ferido, e a causa do fogo não foi esclarecida.
O episódio ocorre em pleno período proibitivo de uso do fogo nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal do estado de Mato Grosso, que vigorou a partir de 1º de julho e se estende até 30 de novembro de 2026. A restrição abrange qualquer atividade com uso intencional de fogo em áreas rurais — e, nas zonas urbanas, a proibição é permanente durante todo o ano.
Como o fogo foi controlado antes dos bombeiros chegaremA propriedade atingida fica a cerca de 40 quilômetros do perímetro urbano de Lucas do Rio Verde e a 332 km de Cuiabá. Segundo o registro da ocorrência, moradores e vizinhos iniciaram o combate por conta própria assim que as chamas se espalharam pela área de mata. Quando a equipe militar chegou, o incêndio já estava parcialmente dominado.
Os bombeiros assumiram o controle final da situação e, após extinguir as chamas, executaram o rescaldo — procedimento que consiste em vasculhar a área queimada em busca de brasas e pontos quentes que possam reacender o fogo horas depois. A origem do incêndio segue sem explicação oficial.
Agosto concentra os dias mais perigosos para o Pantanal de MSO que aconteceu em Lucas do Rio Verde não é um caso isolado no mapa do risco. Agosto historicamente concentra os índices mais elevados de incêndios no Centro-Oeste, e Mato Grosso do Sul enfrenta o mesmo cenário: seca intensa, umidade relativa do ar abaixo de 20% em diversas cidades e ventos que facilitam a propagação das chamas em áreas de Cerrado e, especialmente, no Pantanal — o maior do mundo, com cerca de 150 mil km² concentrados no território sul-mato-grossense.
Municípios como Corumbá, Aquidauana, Miranda e Porto Murtinho figuram entre os pontos de maior atenção dos bombeiros e do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) nesta época do ano. Em 2024, o Pantanal registrou um dos piores anos de queimadas de sua história, destruindo mais de 3,5 milhões de hectares — lição que tornou ainda mais urgente o monitoramento contínuo.
Restrição de fogo em MS segue as mesmas regras de MTAssim como o estado vizinho, Mato Grosso do Sul mantém o período proibitivo de uso do fogo em vigor entre julho e novembro, conforme determinação do governo estadual alinhada às diretrizes do Ibama e do Prevfogo. A legislação proíbe queimadas para limpeza de pastagens, roçadas e qualquer outra prática agrícola que envolva fogo — e quem descumpre pode responder por crime ambiental, com penas que incluem multa e detenção.
O Corpo de Bombeiros Militar de MS mantém equipes em prontidão reforçada durante o período seco, com brigadistas apoiados por aeronaves quando necessário. A orientação para moradores da zona rural é acionar imediatamente o número 193 ao detectar qualquer foco de incêndio, sem tentar combatê-lo sem equipamento adequado — atitude que, apesar de compreensível, expõe vidas a risco desnecessário.
O incidente em Mato Grosso serve de alerta para toda a bacia do Pantanal: com a estiagem projetada para se prolongar até outubro, cada ignição não controlada a tempo tem potencial de se tornar um desastre de proporções muito maiores.
Fontes: CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE MATO GROSSO, FATOS DE MATO GROSSO