Aldeia Ofaié recebe pesquisadores da Unisinos em visita sobre identidade de Brasilândia

Município do Bolsão sul-mato-grossense promoveu oficina participativa com 21 pessoas e visita à comunidade indígena Ofaié para mapear potencialidades locais.

Por

Divulgação

A cidade de Brasilândia, no Bolsão de Mato Grosso do Sul, recebeu no dia 13 de agosto pesquisadores da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) para uma tarde que misturou debate coletivo e mergulho na cultura indígena: primeiro, uma oficina de cocriação sobre identidade municipal com 21 participantes; depois, uma visita à Aldeia Ofaié, onde os visitantes conheceram o artesanato e os costumes do povo que empresta ao município parte de sua singularidade histórica.

A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para dar forma a uma identidade oficial de Brasilândia — aquele conjunto de símbolos, narrativas e vocações que diferencia um município dos demais e pode orientar desde políticas públicas até estratégias de desenvolvimento econômico e turismo. Para um município de porte médio no interior de MS, esse tipo de construção coletiva raramente acontece de forma estruturada, o que torna a parceria com uma universidade gaúcha um dado fora do comum.

Da Secretaria da Mulher à aldeia: um dia de duas jornadas

A oficina aconteceu na sede da Secretaria da Mulher de Brasilândia e reuniu moradores, gestores e representantes da comunidade em rodadas de diálogo sobre o que o município tem de mais característico — sua história, sua paisagem, sua gente, suas atividades econômicas. A metodologia de cocriação, típica de processos de design participativo, coloca em pé de igualdade diferentes vozes antes de chegar a qualquer conclusão. "A proposta foi construir, de forma participativa, uma identidade que valorize as riquezas e as potencialidades existentes no território", sintetizou a Agente de Desenvolvimento Risia Castro, que acompanhou todas as etapas do encontro e conduziu os mentores da Unisinos pela cidade.

Ao final da oficina, o grupo seguiu para a Aldeia Ofaié, comunidade indígena localizada dentro do território do município. Lá, os pesquisadores tiveram contato direto com o artesanato produzido pelos indígenas, com os costumes da comunidade e com o trabalho de preservação dos conhecimentos tradicionais — um acervo vivo que poucos visitantes de fora chegam a conhecer. A visita aproximou, na prática, a universidade de uma das expressões culturais mais antigas presentes em Brasilândia.

O povo Ofaié e o que está em jogo na preservação

O povo Ofaié é um dos menores grupos indígenas do Brasil em número de falantes, com língua própria classificada como criticamente ameaçada de extinção. Sua presença em Brasilândia não é apenas um dado demográfico: é parte do argumento de que o município guarda uma diversidade cultural que merece reconhecimento formal. Iniciativas como essa visita — que colocam pesquisadores de uma universidade credenciada diante da realidade da aldeia — ajudam a documentar e a dar visibilidade a uma herança que corre risco de desaparecer sem registro.

Para a Prefeitura de Brasilândia, o encontro reforça uma linha de atuação que busca integrar poder público, instituições de ensino e comunidades tradicionais no mesmo processo de desenvolvimento. Na prática, isso significa que a identidade municipal que vai ser construída ao longo do projeto terá, ao menos em parte, a cultura Ofaié como componente — o que pode influenciar desde o turismo até a forma como o município se apresenta para investidores e parceiros.

Brasilândia no mapa do Bolsão sul-mato-grossense

Brasilândia fica no extremo leste de Mato Grosso do Sul, na região conhecida como Bolsão, vizinha ao estado de São Paulo e cortada pelo Rio Paraná. Economicamente, o município está no entorno da cadeia de celulose que transformou Três Lagoas em referência industrial no estado, mas ainda busca consolidar vocações próprias para além do agronegócio e da pesca. Um projeto de identidade municipal bem construído pode ser o passo inicial para que Brasilândia ocupe um espaço mais definido nesse cenário regional — seja pelo turismo de natureza, pelo patrimônio indígena ou por outras potencialidades que a oficina ajudará a mapear.

Os resultados do processo de cocriação ainda serão sistematizados pela equipe da Unisinos. Quando concluídos, devem subsidiar ações concretas de promoção do município, fortalecendo a conexão entre a história local, as comunidades tradicionais e as oportunidades de desenvolvimento que Brasilândia ainda tem por explorar.

Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE BRASILÂNDIA