Fazenda que virou turismo e quilombo no mapa: como CG quer ser capital dos eventos

A 7ª Mostra de Turismo reuniu empreendedores, pesquisadores e poder público em Campo Grande para discutir afroturismo, turismo 60+ e expansão da oferta local.

Por

Divulgação

Uma fazenda transformada em destino turístico após a dona entrar na faculdade de Turismo aos 40 anos, um restaurante quilombola com fogão a lenha disputando visibilidade na baixa temporada e a ambição de reconquistar o título de capital dos eventos do Centro-Oeste: esses foram alguns dos cenários apresentados na 7ª Mostra de Turismo de Campo Grande, realizada na última quarta-feira (12 de agosto) na sede do Sebrae/MS. O evento, organizado pela Prefeitura de Campo Grande por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), com apoio do Governo do Estado, aconteceu no mês do aniversário da capital sul-mato-grossense e reuniu especialistas, pesquisadores e donos de pequenos negócios para debater o futuro do setor.

O momento não foi escolhido por acaso. O turismo em Mato Grosso do Sul vive uma fase de reorganização: o estado desponta em segmentos como ecoturismo e turismo de natureza, mas ainda enfrenta o desafio de transformar atrativos naturais em produtos estruturados, capazes de competir em nível nacional e internacional. Para além do Pantanal e de Bonito, a ideia é consolidar Campo Grande como destino por si só — e isso passa, inevitavelmente, pelos pequenos negócios que formam a espinha dorsal do setor.

Novas tendências entram na agenda do turismo sul-mato-grossense

Com o tema "Turismo na Cidade Morena: Conectando Tendências", a programação trouxe apresentações acadêmicas e painéis sobre segmentos que ainda são pouco explorados no estado. Etnoturismo, turismo pet friendly, afroturismo e turismo 60+ estiveram entre os temas discutidos — tendências que refletem a diversificação do perfil dos viajantes brasileiros. O diretor-presidente da Fundtur-MS, Bruno Wendling, destacou a capacidade do estado de acompanhar esses movimentos. "O turismo é muito dinâmico e Mato Grosso do Sul tem capacidade para acompanhar movimentos como o afroturismo, o turismo 60+, o ecoturismo e o turismo de natureza, fortalecendo cada vez mais sua competitividade como destino", afirmou.

Um dos destaques práticos foi a apresentação de Cícero Ávila, do Ecopark, e de Carlos Caetano, do Sítio Harmonia e presidente da Associação de Turismo Rural de Mato Grosso do Sul (ATURMS). Os dois mostraram como novas formatações de produto turístico podem transformar a sazonalidade em oportunidade. A ATURMS, por exemplo, criou o Festival de Inverno — evento que reúne atrações em várias propriedades rurais associadas justamente para atrair turistas no período de menor demanda. Neste ano, o festival chegou à terceira edição consecutiva.

Pequenos negócios expõem o que Campo Grande tem a oferecer

No hall do Sebrae/MS, sete empresas participaram da Mostra de Atrativos, apresentando produtos e experiências ligados ao turismo rural e de natureza. Entre elas, a Fazenda Pontal das Águas, da empresária Margareth Regina Vieira de Mello, que em 2002 decidiu transformar a propriedade onde já morava em um empreendimento turístico — e foi para a faculdade de Turismo para aprender como fazer isso. "Desde então, o Sebrae faz parte da história da Fazenda Pontal das Águas. Foram cursos, missões técnicas e capacitações que ajudaram a operacionalizar estratégias e profissionalizar o negócio", contou Margareth.

Outro empreendimento em destaque foi o Restaurante Sabores do Quilombo, de Vera Lúcia Rodrigues dos Santos, que apresenta gastronomia caipira quilombola com receitas feitas no fogão a lenha. O desafio da baixa temporada também estava na pauta: como a comunidade é conhecida por banho de rio e cachoeira, o número de visitantes cai no inverno. A estratégia é fazer o restaurante se tornar o principal motivo da visita, independentemente da época do ano. Também participaram da mostra as propriedades Morada do Gavião, Recanto da Cachoeira, Sítio Harmonia, Estância Alegria, Fazenda São Clemente e Mirante dos Ipês, todas associadas à ATURMS.

Campo Grande quer reconquistar o título de capital dos eventos

Um dos debates mais estratégicos da 7ª Mostra girou em torno do potencial de Campo Grande como polo de eventos. A Instância de Governança Regional (IGR) Campo Grande dos Ipês, que articula empreendimentos da capital e de municípios como Sidrolândia, Ribas do Rio Pardo, Rochedo e Terenos, trabalha atualmente na elaboração de um caderno técnico para facilitar a realização de eventos na cidade. "Temos potencial para reconquistar o título de capital dos eventos, mas precisamos organizar o setor e aproximar os diferentes atores", disse Marcos Cesar Pereira de Morais, presidente da IGR.

A gerente de Competitividade e Inovação do Sebrae/MS, Isabella Montello, reforçou que o discurso sobre hospitalidade e sustentabilidade precisa se converter em entrega concreta. "Campo Grande já tem uma oferta turística importante, mas é preciso fortalecer o setor privado e preparar os empreendedores para transformar esses atrativos em produtos cada vez mais estruturados e competitivos", pontuou. Para o secretário da Semades, Ademar Silva Junior, a integração entre instituições é o caminho para que a capital avance de destino local para referência nacional e internacional. O próximo passo, segundo os organizadores, é transformar os debates da mostra em ações concretas de capacitação e fomento ao setor ao longo do segundo semestre de 2026.

Fontes: SEBRAE/MS, PREFEITURA DE CAMPO GRANDE