Banco de leite do HRMS coletou menos da metade do necessário em julho
Unidade do Hospital Regional de MS precisa de 120 litros mensais e recebeu apenas 47 em julho; mães que amamentam podem se cadastrar pelo telefone.
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O Banco de Leite Humano do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), em Campo Grande, encerrou julho de 2026 com um estoque preocupante: foram coletados apenas 47 litros de leite materno no mês, quando o volume mínimo para atender à demanda dos recém-nascidos internados na unidade é de 120 litros. O déficit — de mais de 60% — coloca em risco o abastecimento para bebês prematuros e de baixo peso, que dependem exclusivamente dessa fonte de alimentação.
O alerta chega durante o Agosto Dourado, campanha nacional que dedica o mês à promoção da amamentação e ao fortalecimento dos bancos de leite no país. Para a equipe do HRMS, o momento é estratégico para sensibilizar mães que estão amamentando e produzem leite além da necessidade dos próprios filhos — o chamado leite excedente.
Por que o leite doado é insubstituível para prematurosPara recém-nascidos internados em unidades neonatais, o leite humano não é apenas alimento: é tratamento. Rico em anticorpos, proteínas e componentes bioativos, ele protege o organismo ainda imaturo contra infecções, reduz o risco de sepse e de enterocolite necrosante — uma das complicações mais graves em prematuros — e favorece o desenvolvimento neurológico. Fórmulas industriais, mesmo as mais avançadas, não reproduzem essa composição viva.
É justamente por isso que os bancos de leite integram a estrutura assistencial dos hospitais com UTI neonatal. Quando o estoque cai, a equipe precisa recorrer a alternativas menos eficazes ou racionar a oferta entre os bebês internados — decisões difíceis que impactam diretamente a recuperação de cada criança.
Quem pode doar e como funciona o processoA doação é simples e não exige que a mãe vá até o hospital todos os dias. Qualquer mulher que esteja amamentando, produza leite além do que o filho consome e tenha realizado os exames do pré-natal está apta a se tornar doadora. O processo começa com um cadastro na unidade, quando a equipe do banco de leite orienta sobre higiene, armazenamento e coleta em casa.
O leite é retirado no próprio domicílio — com agendamento — ou entregue diretamente no banco. Após a coleta, passa por análise laboratorial e pasteurização antes de chegar aos bebês internados. "A doação de leite humano é um gesto que salva vidas," costumam reforçar os profissionais de saúde da área neonatal. Mães interessadas podem ligar para o Banco de Leite do HRMS pelo número (67) 3378-2715 para obter informações e iniciar o cadastro.
Agosto Dourado e a meta de recompor o estoqueA Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida e, com alimentação complementar, até os dois anos ou mais. O Agosto Dourado existe para lembrar que amamentar, apesar de ser um processo natural, exige apoio — tanto da família quanto do sistema de saúde. Dificuldades na pega, dor e queda na produção são situações comuns, especialmente nos primeiros dias, e os bancos de leite também orientam mães nesses momentos.
Para o HRMS, recuperar o estoque ao nível mínimo de 120 litros mensais depende diretamente da adesão de novas doadoras em Campo Grande e região. Cada frasco de leite coletado representa dias a mais de proteção para um bebê que ainda luta para ganhar peso e sair da incubadora.
Fontes: GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL