Frango pressiona cortes bovinos e arroba fecha semana com negócios travados

Frigoríficos enfrentam dificuldade para fechar escalas de abate, e competição com carne de frango reduz demanda por bovinos no atacado

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O mercado físico do boi gordo encerrou a semana com volume de negócios abaixo do esperado nesta sexta-feira (7), em um cenário em que frigoríficos de grande porte ainda tentam reorganizar suas escalas de abate após períodos de férias coletivas. Segundo a consultoria Safras & Mercado, a limitação de oferta segue como pano de fundo do setor e deve continuar ditando o ritmo das operações no curto prazo.

Para Mato Grosso do Sul — um dos maiores estados produtores de boi gordo do país —, o comportamento do mercado nacional reflete diretamente na rentabilidade das fazendas e nos negócios fechados nos frigoríficos distribuídos pelo estado. Entender o que trava os negócios no mercado físico nacional é leitura obrigatória para quem está no campo sul-mato-grossense.

Escalas de abate emperradas e oferta restrita

A principal explicação para o fraco fluxo de negócios está na dificuldade que os frigoríficos encontram para montar suas escalas de abate. Indústrias maiores que concederam férias coletivas recentemente conseguiram, em parte, redirecionar a demanda para outras unidades, mas a normalização ainda não chegou ao conjunto do setor. "A evolução das escalas de abate e o ritmo de exportação divulgado semanalmente são variáveis importantes para interpretar os movimentos no curtíssimo prazo", explicou Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado.

Essa combinação de oferta limitada e escalas desorganizadas cria um mercado travado: vendedores relutam em baixar o preço, compradores esperam por melhores condições, e o resultado é um dia de poucos negócios fechados — exatamente o que se viu nesta sexta.

Frango rouba espaço da carne bovina no atacado

No mercado atacadista, os preços da carne bovina se mantêm firmes, mas a perspectiva para as próximas semanas é de desaceleração na demanda. Com o efeito dos salários já absorvido pela economia e o pico de consumo do Dia dos Pais concentrado na primeira semana de agosto, a expectativa é de reposição mais lenta a partir de agora.

O fator que mais preocupa o setor, no entanto, é estrutural: os cortes bovinos seguem perdendo competitividade frente às proteínas concorrentes, especialmente o frango. "Os cortes bovinos seguem perdendo competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, em especial se comparado à carne de frango", afirmou Iglesias. O preço mais acessível do frango no varejo tem deslocado parte do consumo e pressionado indiretamente os volumes negociados no mercado físico bovino.

Cotações da arroba e dos cortes nesta sexta

No fechamento desta sexta-feira, os preços dos cortes bovinos no atacado se mantiveram estáveis em relação aos dias anteriores. O quarto dianteiro ficou cotado a R$ 21,50 por quilo, enquanto a ponta de agulha foi negociada a R$ 20,00 por quilo. Já o quarto traseiro, corte de maior valor agregado, permaneceu a R$ 27,00 o quilo.

Para os produtores de Mato Grosso do Sul, o momento pede atenção redobrada ao calendário de exportações — variável que, segundo a Safras & Mercado, tem peso decisivo sobre o comportamento do mercado nas próximas semanas. Com o rebanho sul-mato-grossense entre os mais expressivos do Brasil, qualquer alteração no ritmo de embarques afeta diretamente a rentabilidade da cadeia local, da porteira ao frigorífico.

Fontes: SAFRAS & MERCADO, CANAL RURAL