China compra mais de 6 mi de t de soja dos EUA e puxa preços em Chicago
Demanda chinesa aquecida impulsiona futuros da soja na CBOT, mas mercado físico brasileiro opera travado com poucas negociações nesta quinta
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A demanda chinesa voltou a dar o tom no mercado internacional de soja nesta quinta-feira, 6 de agosto. Enquanto a Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) registrou alta moderada nos contratos futuros, puxada pela sequência de compras da China — que já acumula cerca de 6 milhões de toneladas adquiridas dos Estados Unidos para entrega a partir de setembro —, o mercado físico brasileiro praticamente parou, com pouquíssimas negociações e cotações quase inalteradas nas principais praças do país.
O movimento das compras chinesas ganha ainda mais peso diante do contexto político: as aquisições ocorrem às vésperas de uma visita esperada do presidente Xi Jinping aos Estados Unidos no próximo mês, sinalizando que o fluxo comercial entre as duas maiores economias do mundo permanece como termômetro central para quem produz soja no Brasil — inclusive em Mato Grosso do Sul.
Estatal chinesa entra em campo e amplia volume de comprasAs informações de traders asiáticos ouvidos pela agência Reuters revelam que a estatal Sinograin comprou entre 10 e 15 cargas de soja norte-americana apenas na quarta-feira, com embarques programados para outubro e novembro. No total, exportadores privados dos EUA reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 122.000 toneladas de soja para a China, já destinadas à temporada 2026/27.
O cenário contribuiu para sustentar os preços na CBOT. Os contratos com vencimento em novembro fecharam cotados a US$ 11,77 3/4 por bushel, alta de 0,25%. A posição de janeiro avançou ao mesmo ritmo, encerrando a US$ 11,92 3/4 por bushel. Nos subprodutos, o farelo de soja para dezembro subiu 0,19%, a US$ 316,20 por tonelada, enquanto o óleo de soja ganhou 0,29%.
Brasil paralisa enquanto o mundo negociaApesar da movimentação externa, o mercado físico brasileiro registrou mais uma sessão de baixíssima atividade. "A principal demanda ficou concentrada no porto de Santos", observou Rafael Silveira, analista da consultoria Safras & Mercado, explicando que a combinação entre a queda do dólar, a leve alta de Chicago e a estabilidade dos prêmios de exportação não foi suficiente para atrair vendedores e compradores às mesas de negociação.
O dólar comercial recuou 0,48% no dia, encerrando a R$ 5,1051 para venda. A moeda oscilou entre a mínima de R$ 5,0905 e a máxima de R$ 5,1270 durante o pregão — e justamente esse recuo cambial desestimulou o produtor brasileiro a fechar contratos, já que o real mais valorizado reduz a receita em moeda nacional para quem vende em dólar.
As exportações semanais norte-americanas também decepcionaram: as vendas líquidas para a temporada 2025/26 somaram apenas 32.200 toneladas na semana encerrada em 30 de julho, o menor volume registrado na temporada, reforçando a percepção de que o ritmo de negociações ainda não encontrou equilíbrio.
O que esse cenário significa para o produtor sul-mato-grossenseMato Grosso do Sul é um dos principais estados produtores de soja do Brasil, com safras que crescem ano a ano e uma base exportadora que depende diretamente do comportamento dos preços internacionais. O aquecimento da demanda chinesa, quando sustentado, tende a refletir nos prêmios pagos nos portos brasileiros — e, consequentemente, nas cotações que chegam ao produtor do interior do estado.
O risco, porém, está no câmbio. Com o dólar abaixo de R$ 5,15, a margem do produtor que ainda tem soja em mãos fica pressionada. Analistas do setor acompanham de perto se a demanda chinesa continuará a crescer nas próximas semanas ou se o ritmo de compras vai arrefecer após os volumes acumulados. O mês de agosto costuma ser decisivo para a formação de preços que balizam contratos da próxima safra — e o mercado já está de olho.
Fontes: SAFRAS & MERCADO, USDA, REUTERS, CBOT