Petróleo sobe quase 1% e freia queda do milho em Chicago; B3 recua até 0,68%
Contratos futuros do cereal operam em terreno negativo no Brasil e nos EUA nesta quinta, pressionados por previsões climáticas desfavoráveis nos Estados Unidos.
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O mercado de milho futuro amanheceu em compasso de espera nesta quinta-feira (6), com os contratos negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) oscilando próximos da estabilidade e os papéis na B3, bolsa brasileira, registrando quedas moderadas. O principal vetor de suporte ao cereal veio de fora do campo: a alta de quase 1% nos futuros de petróleo bruto WTI para setembro ajudou a segurar a sangria, depois de dois dias consecutivos de perdas puxadas por fundos de investimento.
O contexto é delicado para quem trabalha com o grão — seja produtor, tradings ou analistas. O milho acumulou, até a sessão de quarta-feira, a quinta perda nos últimos seis pregões. As previsões meteorológicas para as principais regiões produtoras dos Estados Unidos seguem sendo interpretadas como bearish (de baixa), o que alimenta a cautela e mantém especuladores no modo vendedor.
Chicago oscila perto do zero, mas não abandona a pressãoPor volta das 09h44 (horário de Brasília), o contrato com vencimento em setembro de 2026 era negociado a US$ 4,36, praticamente estável. O papel de dezembro/26 também operava sem variação relevante, cotado a US$ 4,60. Já os contratos mais longos sentiam pressão maior: março/27 caía para US$ 4,75 e maio/27 recuava para US$ 4,84, ambos com perdas de 0,25 ponto.
"Os contratos futuros de milho registraram uma leve recuperação durante a noite, após dois dias de perdas impulsionadas por fundos de investimento, com a alta dos preços do petróleo bruto oferecendo algum suporte", explicou Bruce Blythe, analista do site especializado Farm Futures. A recuperação noturna, contudo, não apaga o cenário de fundo: "As previsões meteorológicas pessimistas continuam sendo o principal foco nos mercados de grãos, o que aumenta os riscos reais de novas quedas nos preços, especialmente com a deterioração dos gráficos alimentando uma onda de vendas por parte dos especuladores", completou Blythe.
B3 opera no vermelho com contratos de curto a longo prazo em quedaNo mercado brasileiro, o movimento foi mais claramente negativo. Às 10h07, as cotações do milho futuro na B3 variavam entre R$ 67,96 e R$ 77,49 por saca, todas em terreno negativo. O contrato de setembro/26 caía 0,50%, a R$ 67,96. O de janeiro/27 recuava 0,22%, a R$ 76,08. Março/27 perdia 0,39%, valendo R$ 77,49, enquanto o vencimento de maio/27 registrava a maior desvalorização do dia, de 0,68%, chegando a R$ 76,48.
A variação do câmbio, que historicamente serve de amortecedor para perdas externas — já que o milho é cotado em dólar —, não foi suficiente nesta sessão para reverter o quadro negativo nos papéis domésticos.
O que o produtor de Mato Grosso do Sul precisa observarMato Grosso do Sul é um dos estados mais relevantes na produção e escoamento de milho do Centro-Oeste brasileiro. Com a safrinha — segunda safra do cereal, plantada após a soja — em fase avançada em diversas regiões do estado, a leitura dos preços futuros influencia diretamente as decisões de venda antecipada (hedge) dos produtores locais. Contratos abaixo de R$ 70,00 no curto prazo acendem um alerta, especialmente para aqueles que ainda carregam estoque ou negociam fixações de preço.
O cenário climático nos EUA, apontado como o principal driver de baixa neste momento, pode mudar rapidamente conforme novas projeções meteorológicas sejam divulgadas ao longo das próximas semanas — o que torna o acompanhamento diário das cotações ainda mais estratégico para o agronegócio sul-mato-grossense. Por enquanto, o mercado respira com cautela, à espera de um sinal mais claro antes de definir a próxima direção.
Fontes: CBOT, B3, FARM FUTURES