Chuvas no Corn Belt e petróleo em queda derrubam milho na B3 e em Chicago

Contratos futuros do milho cederam até 1% em Chicago e 0,7% na B3 nesta quarta, pressionados por clima favorável nos EUA e recuo das commodities energéticas.

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Os contratos futuros do milho encerraram a sessão desta quarta-feira, 5 de agosto, em terreno negativo tanto na Bolsa de Chicago (CBOT) quanto na B3, com o clima benigno nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos e o enfraquecimento do petróleo dando o tom do pregão. Na CBOT, o contrato para dezembro fechou a US$ 4,60 por bushel e o de março/27 a US$ 4,75, com quedas entre 5,50 e 5,75 pontos — recuo superior a 1%. No mercado brasileiro, o contrato de setembro terminou o dia a R$ 68,30 por saca e o de março a R$ 77,79, com perdas que variaram de 0,3% a 0,7%.

O cenário climático do Meio-Oeste norte-americano continua sendo o principal motor das cotações. Com o chamado Corn Belt — cinturão produtor de milho dos EUA — recebendo chuvas regulares e temperaturas amenas justamente no período crítico de enchimento de grãos, as expectativas para uma safra volumosa se consolidam. Esse quadro favorável incentivou os fundos especulativos a ampliarem suas posições vendidas, reforçando a pressão baixista sobre os preços.

Modelos climáticos apontam chuvas até meados de agosto

De acordo com o boletim diário do Grupo Labhoro, os modelos meteorológicos atualizados nesta tarde indicam precipitações abrangentes sobre praticamente todo o Meio-Oeste americano até o dia 20 de agosto. "No curto prazo, são indicadas precipitações até o início da próxima segunda-feira em Iowa, parte do Missouri, Illinois, Indiana, Ohio e sul de Michigan", informou o grupo em nota. Essas regiões respondem por parcela expressiva da produção de milho dos Estados Unidos, e a perspectiva de colheita farta continua afastando qualquer impulso de alta nos preços.

Nem mesmo uma nova compra mexicana de 120 mil toneladas de milho norte-americano — sendo 30 mil da safra velha e 90 mil da safra nova — foi capaz de reverter o humor do mercado. O volume, embora relevante, ficou ofuscado pela leitura predominantemente baixista dos fundamentos climáticos.

Petróleo em queda arrasta complexo de commodities

Um segundo vetor de pressão veio do mercado de energia. O avanço das negociações diplomáticas entre Irã e Estados Unidos, intermediadas por Omã, trouxe algum alívio às tensões no Oriente Médio e abriu espaço para recuo nas cotações do Brent e do WTI. O movimento enfraqueceu o complexo global de commodities e retirou um dos sustentáculos que vinha apoiando os preços agrícolas nas últimas semanas.

A Labhoro destacou que as tratativas envolvem uma proposta em que as rotas de entrada e saída de embarcações pelo Estreito de Ormuz passariam pelas águas territoriais iranianas. "Apesar dos relatos de avanço nas tratativas, as fontes ouvidas consideram prematura a avaliação de que um acordo definitivo para a reabertura total da rota marítima esteja próximo", pontuou o grupo. O cenário geopolítico, portanto, permanece monitorado, mas sem força suficiente para segurar as commodities energéticas no pregão desta quarta.

Impacto para o produtor de Mato Grosso do Sul

Para o produtor sul-mato-grossense, que concentra grande parte de sua renda na segunda safra de milho, o recuo dos preços futuros requer atenção. Mato Grosso do Sul figura entre os maiores produtores de milho safrinha do Brasil, e as cotações da B3 servem de referência direta para a precificação no mercado físico regional. Com o dólar também recuando nesta quarta, o espaço para ganhos compensatórios no mercado interno ficou ainda mais estreito.

O mercado físico brasileiro segue sendo acompanhado de perto pelos agentes do setor, influenciado pelo ritmo de comercialização da safra atual, pela demanda interna das indústrias de ração e processamento, e pelo desempenho das exportações. Por ora, a direção dos preços continua sendo ditada pelo noticiário externo — e enquanto o clima nos EUA se mantiver favorável, a pressão sobre as cotações tende a persistir nas próximas sessões.

Fontes: GRUPO LABHORO, REUTERS, CBOT, B3