Sete MPs vencem em agosto e pautas do agro dominam semanas decisivas na Câmara
Câmara reservou apenas duas semanas para votações até outubro por causa das eleições municipais, e propostas polêmicas devem ficar para depois do primeiro turno.
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Com o calendário eleitoral comprimindo o tempo útil do Legislativo, a Câmara dos Deputados definiu duas janelas de esforço concentrado para votar propostas prioritárias: a semana de 10 a 14 de agosto e o período de 31 de agosto a 3 de setembro. A pressão é real — sete medidas provisórias editadas no início do ano perdem a validade automaticamente se não forem aprovadas pela Câmara e pelo Senado até o fim de agosto, o que torna o calendário das próximas semanas decisivo para o setor produtivo e para os brasileiros endividados.
Agosto é o mês das convenções partidárias, registro de candidaturas e início das campanhas de rua. Deputados e senadores precisam conciliar o mandato com a disputa eleitoral até o primeiro turno, em 4 de outubro. Nesse cenário, a orientação de especialistas da própria Casa é clara: propostas que geram consenso têm muito mais chance de avançar do que reformas estruturais ou temas divisivos.
O que está na fila — e com prazo de validadeEntre as medidas provisórias com prazo de vencimento está a MP 1355/26, que institui o Programa Extraordinário de Reequilíbrio Financeiro das Famílias — batizado de Novo Desenrola Brasil —, voltado à renegociação de dívidas com condições mais favoráveis junto a instituições financeiras. Outra, a MP 1349/26, cria apoio financeiro a importadores de óleo diesel e gás de cozinha para evitar desabastecimento em função do conflito no Oriente Médio, além de prever suporte ao setor aéreo.
Também deve entrar em votação o PLP 114/26, projeto do governo que cria subsídios para empresas de combustíveis — diesel, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação — como resposta ao impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã nos preços ao consumidor. Para Mato Grosso do Sul, estado com forte demanda por diesel no agronegócio e no transporte de cargas, a aprovação dessas medidas tem efeito direto nos custos da cadeia produtiva.
Frente Parlamentar do Agro empurra pautas de interesse do setor ruralA Frente Parlamentar da Agropecuária listou como prioridade dois projetos que devem entrar em votação nessas semanas concentradas. O primeiro, PL 2898/25, suspende por dois anos sanções e embargos ambientais a pequenos produtores rurais — uma proposta que divide opiniões. O governo federal se opõe à medida argumentando que, na Amazônia Legal, a suspensão poderia beneficiar proprietários de áreas de até 400 hectares que estejam em situação irregular.
O segundo projeto de interesse do agronegócio, se votado, tende a repercutir também no campo sul-mato-grossense, onde pequenos e médios produtores historicamente enfrentam dificuldades com passivos ambientais. Mato Grosso do Sul tem mais de 30% do seu território dentro da Amazônia Legal — o que torna a discussão sobre sanções ambientais particularmente sensível para o estado.
Consenso como critério — e o que fica para depois das eleiçõesA análise de especialistas da Consultoria Legislativa da própria Câmara ajuda a entender o que tem chance real de avançar. "As propostas, principalmente econômicas, que tendem a ter mais chance de avançar são as que abrem créditos extraordinários a setores produtivos, as que são pautas de consenso que beneficiam todos os eleitores e medidas econômicas de efeito concreto", avaliou Manuella Nonô, coordenadora da área de direito eleitoral da Consultoria Legislativa da Câmara. Segundo ela, reformas estruturais e temas polêmicos têm muito menos probabilidade de passar nesse período.
Nessa categoria de impasse está o PL 896/23, que inclui o incentivo à violência contra a mulher como crime inafiançável — equiparando-o ao racismo —, mas que ainda não tem consenso entre os partidos. Também pode ir a voto o PL 1838/26, que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais com dois dias de descanso remunerado, sem corte de salário — regulamentando a PEC aprovada pelos deputados no primeiro semestre e que aguarda o Senado.
Para o setor produtivo de Mato Grosso do Sul — que movimenta bilhões em soja, carne bovina, cana-de-açúcar e transportes —, as próximas semanas na Câmara podem definir regras do jogo por anos. O resultado dessas votações concentradas, sob pressão do calendário eleitoral, será acompanhado de perto por produtores, empresários e trabalhadores do estado.
Fontes: CÂMARA DOS DEPUTADOS