Cortar fungicida para economizar pode custar mais caro na colheita
Especialistas alertam que reduzir aplicações em safras com menor pressão de doenças pode comprometer o potencial produtivo de soja e milho.
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A tentação de cortar custos em anos de menor pressão de doenças nas lavouras é compreensível, mas especialistas em fitossanidade alertam que abandonar ou reduzir o programa de fungicidas pode sair mais caro do que parece na hora da colheita. A lógica parece simples: se a pressão está baixa, por que gastar? O problema é que as condições de campo mudam rapidamente, e a lavoura desprotegida pode perder área foliar ativa exatamente no momento mais crítico — o enchimento de grãos.
Para os produtores de Mato Grosso do Sul, estado que figura entre os maiores produtores de soja e milho do Brasil, esse debate é especialmente relevante. As condições climáticas do Centro-Oeste — com períodos de alta umidade e temperatura elevada — criam um ambiente historicamente favorável ao desenvolvimento de fungos foliares, mesmo em safras consideradas de menor risco. O que começa como uma economia no orçamento pode se transformar em queda de produtividade e perda de renda.
Por que o manejo preventivo não deve ser negociávelEspecialistas em fitossanidade são categóricos: o controle de doenças em soja e milho precisa ser planejado de forma preventiva, não reativa. Variações de umidade e temperatura ao longo do ciclo da cultura, somadas à presença de inóculo no solo e nos restos culturais, são suficientes para favorecer surtos mesmo em safras inicialmente tranquilas. Quando os sintomas aparecem, o dano já está feito — e a aplicação tardia recupera pouco do potencial perdido.
O argumento financeiro também pesa a favor do manejo contínuo. A relação entre custo e benefício de um programa fitossanitário bem estruturado costuma ser positiva mesmo nas safras de menor pressão: a perda de produtividade decorrente de uma doença não controlada supera, em geral, o valor economizado com a redução de aplicações. A questão, portanto, não é se manejar — mas como manejar de forma eficiente e sem desperdício.
Portfólio diversificado como estratégia contra a resistênciaA escolha dos fungicidas passou a ser um ponto estratégico dentro do planejamento das propriedades. Produtos que combinam desempenho técnico, flexibilidade de uso e custo competitivo permitem ao produtor manter o programa mesmo em anos mais brandos. Além disso, a rotação de mecanismos de ação é cada vez mais valorizada como ferramenta para retardar o desenvolvimento de resistência nos patógenos — um problema crescente que pode comprometer a eficiência dos fungicidas disponíveis no mercado no longo prazo.
A Alta Defensivos apresenta um portfólio desenvolvido para diferentes momentos e estratégias de manejo em grandes culturas. Entre as opções estão o Evos, indicado para soja e milho com foco na manutenção da sanidade foliar; o Avaris, voltado a programas de manejo de resistência; o Calitá, fungicida de contato à base de clorotalonil, para controle de doenças foliares; e o Seven, formulado à base de tebuconazol, para diferentes fases das culturas. A combinação dessas ferramentas permite ao produtor montar programas mais completos, adaptados ao histórico de cada área e às condições climáticas de cada safra.
O que está em jogo para o produtor sul-mato-grossenseMato Grosso do Sul encerrou a safra 2023/24 com uma produção de soja estimada em torno de 10 milhões de toneladas, segundo dados do setor. Em um estado onde a margem de lucro já sofre pressão de câmbio, frete e insumos, qualquer perda de produtividade evitável representa impacto direto no resultado final da propriedade. Manter um programa consistente de manejo fitossanitário, portanto, não é apenas uma decisão agronômica — é também uma decisão financeira.
O planejamento antecipado, a escolha de produtos com boa relação custo-benefício e a rotação de princípios ativos formam a base de uma estratégia que protege tanto a lavoura atual quanto as ferramentas disponíveis para as próximas safras. Reduzir aplicações de forma indiscriminada, por outro lado, pode economizar alguns reais por hectare agora e custar muito mais na balança no final da temporada.
Fontes: ALTA DEFENSIVOS, NOTÍCIAS AGRÍCOLAS