Umidade abaixo de 20% ameaça norte de MS com risco de incêndios nesta semana
Massa de ar seco domina o interior do Brasil até sexta-feira, elevando perigo de queimadas em Mato Grosso do Sul, Goiás e região do Matopiba.
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O norte de Mato Grosso do Sul enfrenta nesta semana uma das combinações mais perigosas do período seco: calor acima de 30°C, ausência de chuva até pelo menos sexta-feira e umidade relativa do ar que pode cair abaixo dos 20% — limiar classificado como estado de atenção pela Organização Mundial da Saúde. O alerta foi emitido pela meteorologista Patrícia Cassoli, da Ampere, que acompanha a atuação de uma extensa massa de ar seco sobre o Centro-Oeste e o interior do país no início de agosto.
O cenário é resultado da ausência de sistemas frontais com capacidade de avançar sobre a região central do Brasil neste momento. Enquanto o Rio Grande do Sul acumula novas precipitações por conta de uma frente fria — e ainda aguarda outra mais intensa entre quarta e quinta-feira —, o restante do país permanece sob domínio do ar seco típico da estação. Para os produtores rurais e moradores do interior de MS, isso significa dias de sol pleno, ventos secos e risco crescente de incêndios em pastagens e vegetação nativa.
Alerta máximo para quem vive e produz no interior de MSA faixa de maior risco inclui o norte de Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso, o Matopiba — região agrícola que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — e áreas do sul e leste do Pará. "A umidade pode ficar abaixo dos 20% nessas regiões, exigindo atenção tanto para a saúde quanto para o aumento do risco de incêndios", alertou Cassoli. Para efeito de comparação, o deserto do Saara registra umidade média em torno de 25% — ou seja, parte do interior brasileiro estará mais seco que uma região desértica nesta semana.
Para os produtores rurais, o risco é duplo: além da ameaça direta de incêndios em lavouras e pastagens, a baixa umidade acelera a evapotranspiração do solo, prejudicando culturas que ainda estejam em desenvolvimento ou em fase de armazenamento pós-colheita. Em MS, municípios como Coxim, São Gabriel do Oeste, Costa Rica e Chapadão do Sul estão entre os mais expostos ao fenômeno.
Sul do Brasil concentra chuvas, mas granizo preocupa no RSNo extremo oposto do país, o Rio Grande do Sul não encontra trégua. A frente fria que atuou no fim de semana — descrita pela meteorologista como menos intensa do que as registradas na segunda quinzena de julho — ainda mantém áreas de instabilidade sobre a metade sul do estado, com potencial para pancadas acompanhadas de rajadas de vento e granizo. "A região não está tendo grandes tréguas. Passa uma frente fria, depois há dois ou três dias de tempo firme e volta a chover. Isso impede uma recuperação dos rios e mantém o solo com excesso de umidade", explicou Cassoli.
Uma segunda frente fria, desta vez mais organizada, deve avançar sobre o Sul entre quarta e quinta-feira, com volumes que podem superar 80 milímetros em algumas áreas — abaixo dos mais de 100 mm registrados em julho, mas suficientes para agravar o encharcamento do solo gaúcho. Em Santa Catarina e no sul do Paraná, a chuva ocorre de forma mais isolada, mas também deve se intensificar com a chegada do novo sistema.
O que esperar para Mato Grosso do Sul nos próximos diasPara os moradores de MS, a semana começa com máximas superiores a 30°C em praticamente todo o estado, especialmente nas regiões norte e central. A ausência de chuva não deve ser interrompida ao menos até o fim de semana, segundo a previsão da Ampere. O oeste do estado registrou precipitações isoladas no fim de semana — fruto da influência marginal da frente fria que passou pelo Sul —, mas esse volume foi pontual e insuficiente para alterar o quadro de seca.
Autoridades de defesa civil e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) costumam emitir alertas específicos de baixa umidade nessas condições, recomendando que a população evite exercícios ao ar livre no período mais quente do dia, hidrate-se frequentemente e evite o uso de fogo em áreas rurais. Para o campo, a recomendação é acionar os planos de prevenção a incêndios e manter aceiros atualizados nas propriedades — medidas que ganham urgência diante de uma semana que promete ser uma das mais secas do inverno em Mato Grosso do Sul.
Fontes: AMPERE METEOROLOGIA