El Niño forte: MS terá frentes frias e risco de calor extremo em agosto
Fenômeno climático em rápido aquecimento eleva chance de temporais no Sul e ondas de calor no Centro-Oeste durante todo o mês
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Mato Grosso do Sul entra em agosto sob influência direta do El Niño, que segue em acelerado aquecimento no Oceano Pacífico Equatorial e deve dominar o comportamento climático do país até o início do verão 2026/2027. A previsão da Climatempo aponta que o fenômeno deve atingir intensidade entre forte e muito forte nos próximos meses, trazendo consequências concretas para o estado: dias de calor intenso, umidade baixíssima e, ao menos, duas frentes frias que podem encerrar o mês com chuva acima da média no território sul-mato-grossense.
O cenário não é apenas uma projeção distante. Julho já entregou um aperitivo do que está por vir — enchentes castigaram áreas do Rio Grande do Sul e o calor se manteve fora de época em grande parte do interior do Brasil. Agora, com o El Niño ganhando força, os meteorologistas alertam que agosto pode intensificar esses dois extremos simultaneamente: excesso de chuva no Sul do país e seca severa em boa parte do Centro-Oeste e do Sudeste.
Calor seco e umidade abaixo de 20% no Centro-OestePara Mato Grosso do Sul, a maior parte de agosto será marcada por tempo quente, céu aberto e umidade relativa do ar podendo cair abaixo de 20% — nível considerado estado de atenção pela Organização Mundial da Saúde, equivalente ao ar de um deserto. Esse ambiente favorece problemas respiratórios, ressecamento de mucosas e aumenta o risco de incêndios em vegetação seca, o que preocupa especialmente as regiões do Pantanal e do interior do estado.
A meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, explica que o fortalecimento do El Niño tende a ampliar as características típicas da estação seca no Centro-Oeste, "aumentando a possibilidade de ondas de calor sobre diversas áreas do país". Em Mato Grosso do Sul, isso significa que as temperaturas devem se manter acima da média histórica para o período durante a maior parte do mês.
Duas frentes frias chegam ao estado ainda em agostoO alívio, ainda que parcial, deve vir em dois momentos. A primeira frente fria está prevista para o fim da primeira semana de agosto, enquanto a segunda deve atuar no período final do mês. Esses sistemas têm potencial para trazer chuva significativa a Mato Grosso do Sul — e a Climatempo projeta que o estado pode terminar agosto com volumes de precipitação acima da média para o período, especialmente nas porções oeste e sul do território.
Esse padrão acontece porque o aquecimento do Oceano Atlântico Sul — com temperaturas da água também acima da média ao longo da costa brasileira — favorece a formação e intensificação de sistemas de baixa pressão e frentes frias que avançam pelo Centro-Sul. A combinação entre El Niño no Pacífico e Atlântico mais quente cria um ambiente propício para episódios de tempo severo quando essas frentes chegam ao continente.
Sul do Brasil em alerta, com reflexos na fronteira de MSA situação mais crítica do país em agosto será nos três estados da Região Sul. A previsão aponta chuva consistentemente acima da média, com risco de temporais acompanhados de ventos fortes e queda de granizo. O Rio Grande do Sul concentra a maior preocupação dos meteorologistas: o estado já acumula danos das enchentes de julho e pode voltar a registrar acumulados elevados de precipitação ao longo das próximas semanas.
Para o leitor sul-mato-grossense, esse quadro no Sul do país tem efeitos indiretos relevantes. Rodovias que ligam MS ao Rio Grande do Sul e ao Paraná podem ser afetadas por bloqueios e interdições em caso de novos eventos extremos, impactando o escoamento da produção agrícola e o abastecimento de produtos vindos do Sul. Produtores rurais e transportadoras do estado devem ficar atentos às condições das rotas nas próximas semanas.
O mês de agosto 2026 se desenha, portanto, como um período de contrastes climáticos marcantes no Brasil — e Mato Grosso do Sul está no meio desse tabuleiro, sentindo tanto a seca quanto a chegada eventual das chuvas. Acompanhar as atualizações diárias das condições meteorológicas será essencial para agricultores, gestores públicos e população em geral ao longo de todo o mês.
Fontes: CLIMATEMPO