Dólar encerra julho abaixo de R$ 5,07 e acumula queda de 1,82% no mês

Moeda norte-americana fechou praticamente estável na última sessão de julho, mas o mês foi positivo para o real, que se valorizou quase 2% frente ao dólar.

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O real encerrou julho em posição confortável diante do dólar: a moeda norte-americana fechou a última sexta-feira do mês cotada a R$ 5,0686, variação positiva de apenas 0,13% no dia, mas com recuo acumulado de 1,82% ao longo de julho — o que representa a melhor performance mensal do real em meses recentes. Na semana, o dólar também recuou 0,25%, consolidando um período favorável para quem tem dívidas ou compromissos em moeda nacional.

A sessão desta sexta-feira, no entanto, foi longe de ser tranquila. Um problema técnico na B3, a bolsa de valores brasileira, atrasou a abertura do mercado de câmbio e deixou operadores sem referência de preços por mais de uma hora — justamente no último dia do mês, quando a disputa pela formação da Ptax costuma ser mais intensa e movimentada.

Falha técnica na B3 trava operações no início do pregão

Os contratos futuros de dólar e a moeda à vista só começaram a ser negociados depois das 9h35, com atraso considerável em relação ao horário habitual de abertura. Sem os preços do mercado futuro como referência — considerado o segmento mais líquido do câmbio brasileiro —, as mesas de operação simplesmente pararam. "Ninguém faz nada" sem as cotações da B3, resumiu um operador ouvido pela Reuters, descrevendo o impasse que tomou conta das corretoras e bancos naquela manhã.

Outros mercados, como o de ações e o de DIs (Depósitos Interfinanceiros), demoraram ainda mais para entrar em funcionamento: a retomada ocorreu apenas a partir das 12h30. O atraso limitou a liquidez também no câmbio durante as primeiras horas do dia, o que amplificou a volatilidade antes da definição da Ptax.

Ptax de fim de mês fecha em R$ 5,0773 e dólar perde força depois

No início da tarde, o Banco Central divulgou a Ptax de fechamento do mês: R$ 5,0773 na venda. A taxa, calculada com base nas cotações do mercado à vista, serve como referência para a liquidação de contratos futuros e é alvo constante de disputa entre agentes financeiros no último dia de cada mês — cada lado tenta puxar a cotação para o nível que melhor favorece suas posições compradas ou vendidas em dólar.

A moeda chegou a atingir a máxima de R$ 5,0865 às 11h21, momento de maior pressão pela Ptax e com o mercado de ações ainda fora do ar. Após o anúncio da taxa pelo BC, o dólar recuou para a mínima de R$ 5,0647 às 13h15 e praticamente parou de oscilar pelo resto da tarde. O dólar futuro para setembro — que nesta sessão assumiu a posição de contrato mais negociado — fechou em R$ 5,1070, alta de 0,11%.

Cenário externo e impacto para o consumidor brasileiro

No exterior, o dólar operou com sinais mistos ao longo da tarde: subia ante o peso colombiano e o peso chileno, mas cedia diante da rupia indiana e do peso mexicano. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,18%, aos 99,887 pontos — um sinal de relativo enfraquecimento da moeda americana no cenário global.

O pano de fundo no mercado internacional incluía a alta do petróleo Brent, próximo dos US$ 90 o barril, e o aumento nos rendimentos dos Treasuries americanos, pressionados pela decisão sobre juros do Federal Reserve — o banco central dos EUA — na quarta-feira anterior e pelas tensões no Oriente Médio. Para o consumidor brasileiro, a valorização do real ao longo de julho representa um alívio no preço de produtos importados, combustíveis e viagens internacionais — efeito que costuma demorar algumas semanas para chegar às prateleiras e passagens aéreas.

Para Mato Grosso do Sul, estado com forte vocação exportadora em soja, milho e carnes, um dólar mais fraco pressiona a receita dos produtores rurais em reais, já que as commodities são cotadas em dólar no mercado internacional. O equilíbrio da taxa de câmbio, portanto, é acompanhado de perto tanto pelo setor financeiro quanto pelo agronegócio sul-mato-grossense.

Fontes: REUTERS, BANCO CENTRAL DO BRASIL