Microvespas e joaninhas ganham espaço na agricultura como aliadas naturais no combate a pragas
Uso de insetos benéficos reduz aplicação de defensivos, fortalece a sustentabilidade e melhora o equilíbrio dos ecossistemas agrícolas
Cada vez mais presentes no campo, as microvespas e joaninhas estão se consolidando como importantes ferramentas de controle biológico na agricultura brasileira. Utilizados para combater pragas de forma natural, esses insetos benéficos ajudam produtores a reduzir o uso de defensivos químicos, preservar o meio ambiente e aumentar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.
O controle biológico consiste no uso de organismos vivos para manter populações de pragas em níveis que não causem prejuízos econômicos. Entre os principais agentes utilizados estão as microvespas parasitoides e as joaninhas predadoras, reconhecidas pela eficiência no manejo integrado de pragas em diversas culturas agrícolas.
As joaninhas são predadoras naturais de insetos que atacam lavouras, como pulgões, cochonilhas, moscas-brancas e alguns ácaros. Uma única joaninha pode consumir dezenas de pragas por dia, contribuindo para o equilíbrio do ambiente agrícola sem deixar resíduos químicos no solo, na água ou nos alimentos.
A Embrapa destaca o potencial da espécie Cryptolaemus montrouzieri, utilizada no combate à cochonilha-rosada, praga que afeta mais de 200 espécies vegetais. A tecnologia já demonstrou eficiência em diferentes culturas e integra estratégias voltadas à agricultura orgânica e sustentável.
Já as microvespas atuam de forma diferente. Conhecidas como parasitoides, elas depositam seus ovos sobre ou dentro de insetos-praga. Ao se desenvolver, as larvas utilizam o hospedeiro como fonte de alimento, interrompendo seu ciclo de vida e reduzindo naturalmente as populações que causam danos às plantações.
O avanço dessas tecnologias pode ser observado também em Mato Grosso do Sul. Nas florestas de eucalipto da Suzano, por exemplo, o programa de biocontrole utilizou mais de 153,8 milhões de insetos benéficos, entre microvespas e joaninhas, para combater lagartas e outras pragas. A iniciativa alcançou 177,2 mil hectares de áreas cultivadas e contribuiu para uma redução de 59% no uso de defensivos pulverizados e de 48% no consumo de água.
Segundo dados divulgados pela empresa, as áreas que receberam os agentes biológicos apresentaram resultados expressivos: em 92,5% dos casos não houve necessidade de intervenções complementares para controle das pragas.
Especialistas apontam que o crescimento do controle biológico acompanha uma demanda crescente por práticas agrícolas mais sustentáveis. Além de diminuir impactos ambientais, a técnica favorece a biodiversidade, protege polinizadores e auxilia no equilíbrio ecológico das lavouras.
O Brasil é atualmente uma das referências mundiais no desenvolvimento de bioinsumos para a agricultura. Instituições de pesquisa, como a Embrapa, e empresas do setor têm investido na criação e multiplicação de organismos benéficos para ampliar o acesso dos produtores a soluções inovadoras e ambientalmente responsáveis.
Com a expansão dessas tecnologias, microvespas e joaninhas deixam de ser apenas pequenos habitantes das lavouras para assumir um papel estratégico na produção agrícola moderna, contribuindo para uma agricultura mais eficiente, sustentável e alinhada às exigências do futuro.