O tabaco brasileiro, um dos principais produtos de exportação do Rio Grande do Sul, foi diretamente atingido por mais uma barreira comercial imposta pelos Estados Unidos.
A partir de sexta-feira (24 de julho de 2026), o produto passa a enfrentar uma sobretaxa adicional de 12,5% no mercado americano, somada à tarifa de 25% que entrou em vigor dois dias antes.
A decisão faz parte de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo de Donald Trump identificou o Brasil entre mais de 60 economias que, segundo os americanos, não adotam medidas suficientes para impedir a entrada de produtos relacionados a trabalho forçado em suas cadeias de suprimentos.
Além do tabaco, a lista inclui alumínio, algodão, eletrônicos e baterias de lítio.
No primeiro semestre, as exportações de tabaco para os EUA caíram, gerando um prejuízo estimado em US$ 88 milhões. A indústria teme ainda redução de até 10% nos postos de trabalho diretos caso a situação se prolongue.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, defendeu a medida como forma de proteger a economia americana contra vantagens desleais criadas por práticas inadequadas de trabalho. A sobretaxa de 12,5% substitui uma tarifa global temporária anterior e varia conforme o país e o produto.
O governo brasileiro criticou a decisão, defendendo a reciprocidade nas relações comerciais e negando falhas sistemáticas no combate ao trabalho forçado. A medida se insere em um contexto mais amplo de escalada protecionista da administração Trump, que tem aplicado tarifas a diversos parceiros comerciais.
Para o setor tabagista, que já enfrenta desafios como queda de preços e pressão internacional antitabaco, a nova barreira representa mais um obstáculo significativo.
Produtores, indústrias e toda a cadeia produtiva agora acompanham de perto as negociações diplomáticas que possam amenizar os efeitos da sobretaxa.