Dólar sobe na Bolívia e encarece peças importadas nas lojas

Com a moeda americana chegando a Bs 11, importadores bolivianos repassam custos ao consumidor final, impactando o comércio na fronteira com o Brasil.

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Dólar sobe na Bolívia e encarece peças importadas nas lojas
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O dólar atingiu 11 bolivianos (Bs 11) no mercado paralelo da Bolívia, pressionando diretamente o setor de importação de autopeças e acessórios no país vizinho. A alta cambial, registrada nos últimos dias, já se reflete nos preços praticados em lojas e distribuidoras bolivianas — e começa a repercutir no comércio de fronteira acompanhado de perto por brasileiros que habitualmente fazem compras no país andino.

A Bolívia enfrenta há meses uma crise de divisas que esgotou as reservas internacionais do Banco Central e criou dois mercados paralelos: o oficial, fixado em torno de Bs 6,96, e o paralelo, que já supera Bs 11 — equivalente a uma desvalorização de quase 58% em relação à taxa oficial. Para os importadores que precisam comprar dólares no mercado livre para fechar negócios com fornecedores internacionais, a diferença virou um peso insuportável nas contas.

Importadores repassam o câmbio para o preço final

Comerciantes que trabalham com peças de reposição para veículos — segmento muito sensível ao câmbio por depender quase inteiramente de insumos importados — relatam que não há alternativa senão reajustar os valores ao consumidor. O dólar oficial não está disponível em volume suficiente para cobrir as demandas do setor, forçando os empresários a recorrer ao câmbio paralelo para garantir estoques. O resultado direto é um produto que chegava a, por exemplo, R$ 150 sendo comercializado hoje por R$ 240 ou mais, dependendo da procedência.

A distorção cambial torna o planejamento quase impossível para os lojistas. Pedidos feitos há semanas chegam com notas de custo calculadas em uma cotação que já não reflete a realidade do momento da venda. Para não operar no prejuízo, os importadores bolivianos passaram a incorporar uma margem de segurança cambial nos preços — o que eleva ainda mais o custo final para o consumidor.

Reflexo direto para quem compra na fronteira

Para os moradores de Mato Grosso do Sul que costumam cruzar para Corumbá ou utilizar rotas de fronteira com a Bolívia em busca de mercadorias mais baratas — especialmente autopeças, eletrônicos e itens de uso doméstico —, o cenário mudou sensivelmente. A vantagem de preço que historicamente tornava as compras no país vizinho atrativas está sendo corroída pela inflação gerada pela crise cambial boliviana.

Brasileiros que residem próximos à fronteira e mantêm relações comerciais com a Bolívia precisam recalcular se o deslocamento ainda compensa. Em alguns nichos, como peças específicas de veículos mais antigos ou produtos de difícil acesso no mercado nacional, a compra ainda pode valer a pena — mas a margem de vantagem é bem menor do que há um ano. O impacto também se estende aos bolivianos que vivem próximos ao Brasil e dependem de seus salários em bolivianos para consumir produtos cotados em dólar.

Crise cambial boliviana não tem solução à vista

Economistas ouvidos pela imprensa boliviana apontam que a escassez de dólares no sistema oficial decorre de anos de queda nas exportações de gás natural — principal fonte de divisas do país — sem que houvesse uma diversificação suficiente da pauta exportadora. O governo boliviano tem feito leilões esporádicos de dólares para setores prioritários, mas a demanda supera em muito a oferta disponível, sustentando o câmbio paralelo em patamares elevados.

Enquanto o desequilíbrio persistir, setores que dependem de importações — como o de autopeças, medicamentos, eletrodomésticos e insumos industriais — deverão continuar repassando os custos ao consumidor final. Para o leitor de Mato Grosso do Sul, vale o alerta: qualquer planejamento de compras em território boliviano deve considerar a instabilidade cambial atual e a possibilidade de os preços continuarem subindo nas próximas semanas.

Fontes: EL DIARIO BOLIVIA


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