Algodão sobe até 2% em Nova York e contratos voltam acima de 80 cents/lb
Tensões no fornecimento global de petróleo e dados positivos do campo americano puxaram alta nos futuros da pluma nesta terça-feira (21).
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Os contratos futuros de algodão negociados na Bolsa de Mercadorias de Nova York fecharam em alta generalizada nesta terça-feira (21), com o vencimento dezembro/26 reconquistando a marca de 80 cents por libra-peso — nível que havia perdido nas sessões anteriores. O movimento reflete uma combinação de fatores externos, como a escalada nas tensões geopolíticas no Oriente Médio, e informações favoráveis sobre o desenvolvimento das lavouras americanas, divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Para os produtores brasileiros — especialmente os de Mato Grosso do Sul, que vêm ampliando a área plantada com algodão na região do cerrado sul-mato-grossense — a recuperação das cotações em Nova York é um termômetro direto para o preço da pluma no mercado interno. Quando os futuros americanos sobem, o patamar de referência para as negociações locais tende a acompanhar o movimento, favorecendo a rentabilidade do produtor.
Contratos sobem entre 1,7% e 2% na sessãoO vencimento outubro/26 registrou a maior alta proporcional do dia, avançando 1,59 cent (+2,05%) e encerrando cotado a 78,96 cents por libra-peso. O dezembro/26 subiu 1,50 cent (+1,90%), fechando a 80,42 cents/lb — voltando a operar acima do patamar psicológico dos 80 cents após dias de pressão vendedora. Os contratos mais longos também subiram: o março/27 terminou a 81,74 cents/lb (alta de 1,45 cent, +1,81%), enquanto o maio/27 chegou a 82,63 cents/lb, com ganho de 1,41 cent (+1,74%).
A curva de preços, portanto, continua inclinada para cima ao longo dos vencimentos — sinal de que o mercado precifica perspectiva de oferta mais apertada ou demanda mais firme nos próximos meses, o que beneficia quem ainda tem produto a comercializar ou está planejando a safra 2025/26.
Petróleo e geopolítica também pesaram nas cotaçõesO mercado de energia serviu como pano de fundo para a alta do algodão. Os preços do petróleo bruto voltaram a subir em função das restrições ao tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã, e das ameaças dos militantes houthis de bloquear rotas ligadas à Arábia Saudita no Mar Vermelho. Com o petróleo mais caro, os custos logísticos de toda a cadeia de commodities sobem, o que costuma pressionar para cima os preços agrícolas e, ao mesmo tempo, tornar as fibras sintéticas — concorrentes diretas do algodão na indústria têxtil — mais caras e menos competitivas.
Esse efeito indireto do mercado de energia sobre o algodão é bastante conhecido pelos operadores da commodity. Quando o petróleo sobe, o poliéster fica mais caro, e compradores da cadeia têxtil tendem a migrar parte de sua demanda de volta para a fibra natural — aumentando a pressão compradora sobre o algodão.
Lavouras americanas avançam e qualidade melhora levementeO relatório semanal Crop Progress, divulgado pelo USDA na tarde de segunda-feira (20), trouxe dados que sustentaram o otimismo cauteloso do mercado. Até o último domingo, 73% da safra de algodão dos Estados Unidos estava em fase de formação de maçãs — 1 ponto percentual acima da média histórica para o período. A formação de cápsulas chegou a 32%, em linha com a média dos últimos cinco anos.
A classificação de qualidade das lavouras também melhorou marginalmente: 45% da área avaliada foi enquadrada na categoria boa ou excelente, alta de um ponto percentual em relação à semana anterior. Embora o ritmo de desenvolvimento esteja levemente à frente do histórico, o mercado interpretou os dados como neutros a levemente positivos — suficientes para ancorar os preços sem provocar uma correção brusca para baixo.
Para o produtor sul-mato-grossense, o cenário externo segue favorável no curto prazo. Com os contratos de médio prazo operando acima de 81 e 82 cents por libra-peso, a janela para travamento de preços de safras futuras permanece interessante — especialmente para quem planeja ampliar a área destinada ao algodão na janela de segunda safra, prática cada vez mais comum nos municípios do cerrado de MS, como Chapadão do Sul e Costa Rica.
Fontes: USDA, BOLSA DE MERCADORIAS DE NOVA YORK (ICE)