CNA leva pauta sanitária e acordo Mercosul-UE a reunião da FARM no Paraguai
Confederação da Agricultura participou de encontro internacional em Assunção com foco em defesa agropecuária e negociações comerciais entre blocos.
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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) marcou presença em uma reunião da FARM (Federação de Associações Rurais do Mercosul) realizada no Paraguai, com a agenda centrada em dois temas de peso para o agronegócio regional: a harmonização de protocolos sanitários entre os países do bloco e os avanços — e impasses — do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O encontro reuniu lideranças rurais de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai para discutir os desafios comuns que afetam diretamente a competitividade do setor no mercado global.
O momento é estratégico. Com o acordo Mercosul-UE enfrentando resistências no lado europeu — especialmente por parte de França e Polônia, que pressionam por proteções à agricultura local — os produtores sul-americanos buscam articulação conjunta para não perder terreno nas negociações. Para o Brasil, maior exportador agrícola do bloco, o desfecho desse acordo tem consequências bilionárias, e estados como Mato Grosso do Sul, com forte vocação na pecuária de corte e na produção de soja, figuram entre os mais diretamente impactados.
Questão sanitária como eixo da integração regionalUm dos pontos centrais da reunião foi a necessidade de avançar na uniformização das exigências sanitárias entre os países do Mercosul. A falta de alinhamento nessa área cria barreiras internas ao próprio bloco e dificulta a apresentação de uma frente unificada nas negociações com terceiros mercados. Para produtores sul-mato-grossenses, que exportam carne bovina para dezenas de países e convivem com a pressão constante das barreiras fitossanitárias, a pauta tem impacto direto.
A CNA tem atuado como interlocutora do setor privado brasileiro junto a organismos internacionais, defendendo que os avanços sanitários conquistados pelo Brasil — como o reconhecimento de zonas livres de febre aftosa sem vacinação — sejam incorporados aos protocolos comuns do bloco, em vez de servirem apenas como argumento individual do país nas mesas de negociação.
Acordo Mercosul-UE: janela estreita e pressão crescenteA ratificação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, anunciada em dezembro de 2024 após décadas de negociações, ainda enfrenta obstáculos no processo de aprovação pelos parlamentos europeus. Países do sul do continente, como Espanha e Portugal, são favoráveis ao texto; já França e Áustria mantêm postura contrária, alegando concorrência desleal com agricultores locais. O encontro da FARM no Paraguai serviu também para calibrar a estratégia conjunta dos produtores do Mercosul diante desse cenário.
Para o agronegócio de Mato Grosso do Sul, a abertura do mercado europeu representaria uma ampliação significativa nas cotas de exportação de carne bovina e de outros produtos de origem animal. O estado é o quinto maior rebanho bovino do Brasil, com cerca de 22 milhões de cabeças, e tem no mercado externo um dos principais destinos para sua produção frigorífica.
MS na fronteira de uma decisão regionalA proximidade geográfica de Mato Grosso do Sul com o Paraguai — com mais de 1.000 quilômetros de fronteira — coloca o estado em posição singular nesse tabuleiro. A integração sanitária entre os dois países, por exemplo, é fundamental para o controle de doenças animais em regiões de trânsito intenso de gado, como ocorre na faixa de fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, e entre Bela Vista e Bella Vista Norte.
Qualquer avanço nas negociações da FARM que resulte em protocolos mais ágeis para o trânsito de animais e produtos agropecuários entre Brasil e Paraguai tende a beneficiar diretamente os produtores sul-mato-grossenses, que operam nessa região de forma integrada com o agronegócio paraguaio há décadas.
A reunião reforça a tendência de que o futuro do agronegócio brasileiro — e de Mato Grosso do Sul em especial — passa cada vez mais por uma atuação coordenada no âmbito do Mercosul, seja para abrir mercados na Europa, seja para fortalecer a barreira sanitária que protege o patrimônio pecuário da região.
Fontes: CNA, FARM