Dourados vistoria mais de 7 mil imóveis e acha só 19 focos do Aedes

Centro de Controle de Zoonoses mobilizou 89 agentes entre 13 e 18 de julho e aplicou tratamento químico em 269 propriedades com risco de criadouro

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Dourados vistoria mais de 7 mil imóveis e acha só 19 focos do Aedes
Divulgação

O município de Dourados registrou apenas 19 focos do mosquito Aedes aegypti em um universo de 7.231 imóveis inspecionados ao longo de uma semana — resultado que autoridades de saúde interpretam como sinal de avanço no combate à epidemia de Chikungunya que ainda afeta a cidade. As vistorias foram conduzidas pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) entre os dias 13 e 18 de julho, com uma equipe de 89 agentes de endemias percorrendo dezenas de bairros e distritos da cidade.

O esforço ocorre em meio a um cenário de alerta sanitário em Dourados, que criou um Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE) justamente para coordenar as ações contra a Chikungunya tanto no perímetro urbano quanto nas aldeias indígenas do entorno. A proporção encontrada — menos de 0,3% dos imóveis com focos ativos — é vista pela gestão municipal como evidência de que a estratégia intensiva começa a dar resultado.

Notificações, autuações e tratamento químico em campo

Ao longo das seis jornadas de trabalho, os agentes do CCZ se depararam com 709 imóveis fechados, o que impede a inspeção direta e representa um ponto de vulnerabilidade no controle vetorial. Mesmo assim, a equipe emitiu 141 notificações e lavrou 146 autos de infração para proprietários em situação irregular. Outros 269 imóveis com condições propícias ao desenvolvimento de larvas receberam tratamento químico preventivo, evitando que potenciais criadouros se tornassem focos confirmados.

A abrangência geográfica da operação foi expressiva: agentes percorreram mais de 60 bairros e localidades, incluindo Jardim Água Boa, Vila Planalto, Parque das Nações, Jardim dos Estados, Vila Aurora, além dos distritos rurais de Vila São Pedro, Vila Macaúba e Itahum. A capilaridade do trabalho revela que a prefeitura aposta em cobertura territorial ampla como pilar da estratégia de controle.

Armadilhas do Ministério da Saúde reforçam vigilância permanente

Paralelamente às vistorias porta a porta, o CCZ mantém a operação de 1.008 Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs) distribuídas pelo Ministério da Saúde como reforço emergencial ao município. As estações funcionam como dispositivos atrativos para fêmeas do Aedes aegypti — o mosquito entra em contato com o larvicida e contamina outros possíveis criadouros ao se deslocar. As EDLs estão instaladas em regiões de alta densidade populacional e histórico de transmissão, como Parque das Nações I e II, Jardim dos Estados, Parque do Lago e assentamentos da área periférica.

O secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, que também coordena o COE, avaliou positivamente os números da semana, mas fez questão de manter o tom de cautela. "Mesmo com um número de focos tão pequeno diante do universo de imóveis vistoriados, a população deve manter os cuidados preventivos, acabando com pontos de água parada, inclusive no interior das residências, mantendo os quintais limpos e acondicionando o lixo em sacos apropriados para coleta", afirmou o secretário.

Por que Dourados ainda precisa de atenção redobrada

Dourados é o segundo maior município de Mato Grosso do Sul e um dos que mais sofreu com o surto de Chikungunya nos últimos meses — doença que provoca febre alta e dores articulares intensas, podendo evoluir para quadros crônicos. A criação do COE e a escala das operações semanais mostram que a gestão municipal não considera o problema superado, mesmo diante de indicadores momentaneamente favoráveis.

Para o leitor do MSConecta que mora ou transita pela região, o recado é direto: a fiscalização está ativa, as multas estão sendo aplicadas e imóveis fechados seguem no radar das autoridades. Quem ainda mantém água acumulada em caixas, pneus, vasos ou calhas tem tanto risco sanitário quanto risco de notificação. A próxima rodada de vistorias do CCZ já está prevista para as próximas semanas, com bairros que não foram cobertos nesta etapa entrando no cronograma.

Fontes: PREFEITURA DE DOURADOS


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