Exportações de algodão crescem 32% em julho e preço por tonelada bate recorde

Dados da Secex mostram que o Brasil embarcou média de 7,3 mil toneladas por dia nos primeiros 13 dias úteis de julho de 2026, acima do ritmo do ano passado.

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O Brasil abriu julho de 2026 em ritmo acelerado nas exportações de algodão em bruto: nos primeiros 13 dias úteis do mês, a média diária de embarques chegou a 7.321,5 toneladas, um crescimento de 32,3% em relação ao mesmo período de julho de 2025, quando a média registrada foi de 5.532,7 toneladas por dia. Os números foram apurados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O desempenho é relevante não apenas pelo volume, mas porque vem acompanhado de preços em alta — uma combinação que amplia a receita do setor em um momento em que o agronegócio brasileiro busca consolidar sua posição no mercado global de fibras. Para estados produtores como Mato Grosso do Sul, onde o algodão integra a matriz de rotação das grandes lavouras, a valorização do produto no mercado externo reforça a atratividade da cultura para a safra 2026/27.

Volume e preço avançam juntos nos embarques de julho

Até o fechamento dos 13 dias úteis contabilizados pela Secex, o Brasil havia exportado 95.179,8 toneladas de algodão em bruto neste mês. Para efeito de comparação, julho de 2025 encerrou com 127.253,2 toneladas embarcadas ao longo de 23 dias úteis — ou seja, o ritmo atual sugere que o mês pode superar o total do ano anterior se mantido o mesmo compasso até o final.

O preço médio por tonelada também subiu: de US$ 1.621,00 em julho de 2025 para US$ 1.688,40 neste ano, alta de 4,2% na comparação anual. Com isso, a média diária de faturamento saltou de US$ 8,969 milhões para US$ 12,362 milhões, avanço de 37,8% — crescimento superior ao do próprio volume embarcado, o que indica que o país está vendendo mais caro, e não apenas mais.

Receita já supera US$ 160 milhões em menos de três semanas

O acumulado financeiro do mês impressiona: em apenas 13 dias úteis, o Brasil gerou US$ 160,705 milhões com os embarques de algodão. Em todo o mês de julho de 2025 — com 23 dias úteis —, a receita total havia sido de US$ 206,275 milhões. Mantida a média atual de faturamento, julho de 2026 deverá encerrar significativamente acima desse patamar.

Esse desempenho reflete tanto a demanda aquecida dos principais importadores do algodão brasileiro — notadamente países asiáticos — quanto a competitividade da fibra nacional em qualidade e logística. O Brasil já é um dos maiores exportadores mundiais da commodity, e dados como estes reforçam a tendência de ampliação da participação do país no mercado global.

MS no contexto da cotonicultura nacional

Embora os grandes volumes de produção de algodão do Brasil se concentrem no Cerrado — especialmente em Mato Grosso, Bahia e Goiás —, Mato Grosso do Sul tem expandido a cotonicultura como parte do sistema de integração lavoura-pecuária. Produtores sul-mato-grossenses utilizam o algodão na rotação com soja e milho, aproveitando a infraestrutura logística do estado para escoamento da produção.

A alta dos preços e o crescimento dos embarques no mercado externo chegam em bom momento para quem planeja o plantio da próxima safra. Com a janela de comercialização mais valorizada, a tendência é de ampliação da área destinada à cultura em regiões como o cone sul e o norte do estado, onde as condições de solo e clima favorecem a lavoura. O acompanhamento dos dados da Secex ao longo das próximas semanas será determinante para confirmar se julho de 2026 vai, de fato, bater o recorde do ano anterior.

Fontes: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS — SECEX