Soja bate máxima de nove semanas em Chicago com China comprando em volume
Contratos futuros da oleaginosa superaram 20 pontos de alta na segunda-feira (20), impulsionados por compras chinesas recordes e tensões geopolíticas globais.
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A soja voltou a dominar as atenções do mercado global nesta segunda-feira (20) ao disparar mais de 20 pontos na Bolsa de Chicago, consolidando-se acima dos US$ 12,10 por bushel e renovando as cotações mais altas em nove semanas. O movimento foi liderado pela retomada agressiva das compras chinesas de grão norte-americano e ganhou força com uma combinação rara de fatores: crise climática no coração agrícola dos Estados Unidos, tensões militares no Oriente Médio e guerra impactando a logística do Mar Negro.
Para os produtores de Mato Grosso do Sul — um dos maiores estados exportadores de soja do país —, a valorização é um sinal de alerta e oportunidade ao mesmo tempo. A temporada 2025/26 ainda está em planejamento para boa parte das propriedades do estado, e o comportamento do mercado futuro em Chicago costuma antecipar o piso de preços da próxima safra.
China volta às compras e empurra Chicago para cimaO catalisador mais imediato da alta foi a confirmação pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) de mais uma venda de 374 mil toneladas de soja da safra 2026/27 — sendo 264 mil toneladas destinadas à China e outras 110 mil toneladas para compradores não identificados. A notícia reativou o fluxo comprador nas posições futuras e sinalizou que Pequim está intensificando os estoques com antecedência, possivelmente diante de incertezas sobre a colheita sul-americana mais à frente.
Por volta das 12h50 de Brasília, os contratos mais negociados registravam altas entre 23,50 e 24,75 pontos. O vencimento de novembro chegou a US$ 12,27 por bushel, enquanto o de janeiro atingiu US$ 12,41 por bushel — patamares que não eram vistos desde o início de maio. O farelo de soja liderou os derivados, subindo mais de 2%, e puxou toda a cadeia para cima.
Clima nos EUA e geopolítica ampliam o movimentoAlém da demanda chinesa, dois outros fatores pressionaram as cotações. No campo climático, as incertezas sobre o desenvolvimento das lavouras no Corn Belt americano seguem no radar dos traders. A soja se beneficiou do otimismo que também elevou os preços do milho e do trigo, ambos pressionados por ondas de calor na Europa e por irregularidades hídricas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.
No front geopolítico, o cenário é de instabilidade crescente em dois flancos. "No Oriente Médio, o conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a se intensificar durante o fim de semana, com novos ataques contra instalações militares e de energia na região do Golfo, enquanto o Estreito de Ormuz permanece fechado ao tráfego marítimo, aumentando as preocupações com o abastecimento global de petróleo", informou o Grupo Labhoro. Paralelamente, a guerra na Ucrânia segue corroendo a logística de exportação no Mar Negro. Segundo a consultoria, "a Ucrânia segue atacando embarcações no Mar de Azov, restringindo o fluxo de aproximadamente 25% a 30% das exportações russas de trigo, enquanto a Rússia manteve ataques com drones e mísseis contra Kiev e Odessa" — o que leva importadores de grãos a buscar alternativas, beneficiando indiretamente o Brasil como fornecedor global.
O que esse rali significa para o produtor sul-mato-grossenseMato Grosso do Sul encerrou a safra 2024/25 com uma produção de soja que deve superar 12 milhões de toneladas, consolidando o estado como um dos maiores fornecedores do grão para o mercado externo. A alta em Chicago, quando sustentada por fundamentos sólidos como os desta segunda-feira, tende a se refletir nos preços praticados nas tradings e cooperativas do estado em até 48 horas, dependendo do comportamento do dólar.
Analistas do setor alertam, no entanto, que a volatilidade geopolítica cria janelas curtas. Produtores que ainda possuem grão estocado ou que negociam a safra futura em Chicago têm neste momento uma combinação favorável rara: demanda chinesa firme, estoques americanos sob pressão e incertezas climáticas ainda sem resolução. O movimento desta segunda pode não ser pontual — mas dependerá de como evoluem os conflitos no Oriente Médio e da confirmação dos danos às lavouras norte-americanas nas próximas semanas.
Fontes: USDA, GRUPO LABHORO