EUA registram venda de 706 mil t de soja para China e México na safra 2026/27

USDA divulgou nesta sexta-feira (17) negócios que somam mais de 700 mil toneladas do grão, com China liderando as compras; movimento reforça aquecimento do mercado global.

Por

Divulgação

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou nesta sexta-feira (17) a concretização de novas vendas de soja que totalizaram 706,634 mil toneladas, todas referentes à safra 2026/27. A China foi o maior comprador isolado, absorvendo 340 mil toneladas, enquanto o México aparece em duas fatias distintas — 256,634 mil toneladas e outras 110 mil toneladas —, confirmando a força da demanda norte-americana pelo grão produzido nos próprios EUA.

A divulgação segue protocolo obrigatório do governo americano: toda venda realizada num mesmo pregão, para um único destino e com volume igual ou superior a 100 mil toneladas, precisa ser comunicada ao USDA no mesmo dia. Essa transparência é monitorada de perto por traders, exportadores e produtores rurais do Brasil — especialmente de Mato Grosso do Sul, maior polo sojicultor do Centro-Oeste — porque sinaliza para onde caminha a competição no mercado internacional.

China mantém posição de maior compradora no radar global

A fatia chinesa de 340 mil toneladas negociadas nesta sexta reforça um padrão que o mercado acompanha com atenção desde o início de 2025: Pequim diversificou fornecedores após as tensões tarifárias com Washington, mas segue comprando grão americano sempre que o preço se torna competitivo. Para o produtor brasileiro, esse movimento duplo — China comprando dos EUA e do Brasil simultaneamente — tende a sustentar a demanda global e, por consequência, manter o mercado aquecido nas bolsas de referência, como a Chicago Board of Trade (CBOT).

A semana foi marcada por forte volatilidade nas cotações em Chicago, o que torna as vendas físicas registradas pelo USDA um termômetro importante. Quando os EUA fecham negócios em volume expressivo mesmo em semanas de oscilação, o sinal é de que compradores internacionais enxergam valor nos preços atuais — o que pode antecipar movimentos de alta nas próximas sessões.

O que este dado significa para quem produz soja em MS

Mato Grosso do Sul encerrou a safra 2024/25 com produção estimada em torno de 12 milhões de toneladas de soja, consolidando o estado como referência nacional. Os negócios registrados pelo USDA impactam diretamente o planejamento de venda dos produtores sul-mato-grossenses porque estabelecem um parâmetro de demanda real — não especulativa — para a temporada que se inicia.

Com o vazio sanitário de 2026 no horizonte e a janela de comercialização da nova safra já no radar das tradings instaladas em Campo Grande, Dourados e Três Lagoas, acompanhar os relatórios semanais do USDA tornou-se rotina obrigatória nas fazendas e nas mesas de operação. A combinação de dólar ainda em patamar elevado e demanda internacional firme cria, segundo analistas do setor, uma janela favorável para travar contratos antecipados.

Próximos passos: safra 2026/27 começa a ganhar forma

O volume negociado nesta sexta representa apenas uma fração das exportações totais previstas pelo USDA para a safra norte-americana 2026/27, mas a precocidade das vendas — ainda no primeiro semestre de 2025 — indica que importadores já estão garantindo estoques com antecedência. Para o Brasil, o cenário competitivo dependerá da evolução climática nos EUA ao longo do verão americano (julho-agosto), período crítico para a formação das lavouras.

Enquanto isso, os produtores de Mato Grosso do Sul que ainda carregam estoque da safra passada devem acompanhar o ritmo de compras divulgado pelo USDA para calibrar o momento de precificar. O mercado de soja raramente oferece sinais tão diretos de demanda real — e os relatórios diários do departamento americano continuam sendo uma das poucas janelas transparentes nesse tabuleiro global.

Fontes: USDA