Tempestade com granizo ameaça o Sul; veranico avança pelo Centro-Sul

Nesta sexta-feira (17), alertas de chuva volumosa e ventos a 90 km/h atingem o Rio Grande do Sul enquanto bloqueio atmosférico eleva temperaturas em MS

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Tempestade com granizo ameaça o Sul; veranico avança pelo Centro-Sul
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O dia 17 de julho começa sob dois cenários opostos no Brasil: enquanto o Rio Grande do Sul enfrenta alerta severo de tempestades com granizo, chuva volumosa e rajadas de vento que podem ultrapassar 90 km/h, o Mato Grosso do Sul e boa parte do Centro-Sul entram em um período de veranico marcado por calor acima da média e umidade em queda acentuada ao longo da tarde.

A combinação de fatores atmosféricos explica a divergência: uma área de baixa pressão sobre Argentina e Paraguai — países que fazem fronteira direta com o MS — está sendo intensificada por um Jato de Baixos Níveis, que bombeia calor e umidade em direção ao extremo sul do país. Ao mesmo tempo, um bloqueio atmosférico associado a um sistema de alta pressão no Atlântico Sul segura nuvens e chuva longe do Centro-Sul, deixando o ar cada vez mais seco sobre o estado.

RS sob alerta máximo: vento, granizo e risco de microexplosão

A situação mais crítica desta sexta está concentrada no Rio Grande do Sul. A Climatempo aponta risco de chuva forte e granizo entre a Campanha, o sudoeste, a faixa sul e o litoral sul gaúcho. No extremo sul e no litoral sul, o nível sobe para perigo de chuva volumosa. A preocupação com as microexplosões — rajadas descendentes de vento extremamente intensas e localizadas — é especialmente alta na Campanha e na Zona Sul.

Ao longo do dia, as instabilidades chegam cedo pela manhã no litoral e no sul, arrefecem no meio do dia e voltam a ganhar força entre o final da tarde e a noite. Nas regiões do Noroeste, Planalto, Central, Missões e Vales gaúchos, o risco principal é o vento: rajadas entre 70 e 90 km/h estão previstas, com picos ainda maiores perto de Santa Maria, onde o vento norte deve soprar de forma persistente durante todo o dia. Em Santa Catarina, especialmente no oeste e extremo sul, e no oeste e centro do Paraná, a expectativa também é de rajadas nessa faixa.

Veranico avança e umidade despenca no Centro-Sul

Para quem está em Mato Grosso do Sul, o cenário desta sexta é de céu aberto, sol forte e temperaturas que já se afastam da média esperada para julho. O mesmo padrão vale para o Paraná e boa parte do Sudeste, onde o bloqueio atmosférico interrompe o ciclo de chuvas e inaugura dias consecutivos de tempo firme. No norte do Paraná, a umidade relativa do ar pode cair para a faixa entre 20% e 30% durante a tarde — índice que a Organização Mundial da Saúde classifica como estado de atenção para a saúde respiratória.

Em São Paulo, as temperaturas já registram entre 3°C e 5°C acima da média histórica para esta época do ano. No Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, o sol predomina sem chuva significativa, com exceção do litoral capixaba e do nordeste mineiro, onde há possibilidade de chuva fraca e isolada. Na Serra da Mantiqueira, manhãs mais frias mantêm a condição para geada pontual, criando uma das maiores amplitudes térmicas do país neste período.

O que esperar nos próximos dias em MS

O bloqueio atmosférico que define o tempo em Mato Grosso do Sul deve persistir além desta sexta-feira, mantendo o estado em um período de veranico que tende a durar alguns dias. Isso significa temperaturas elevadas no período da tarde, baixa umidade e ausência de chuvas significativas — condições que pedem atenção redobrada com hidratação, especialmente para trabalhadores rurais e populações mais vulneráveis no campo e na cidade.

A influência da baixa pressão no Paraguai e na Argentina — regiões de fronteira com MS — continuará sendo monitorada. Esse sistema é o mesmo responsável pelas tempestades no Sul do país, e qualquer deslocamento pode alterar rapidamente o quadro para os municípios do Cone Sul do estado, como Ponta Porã e Mundo Novo, mais expostos às variações de sistemas vindos do Prata. Por ora, o alerta permanece restrito ao Rio Grande do Sul, mas o cenário segue em evolução.

Fontes: CLIMATEMPO


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