Entidades do agro defendem fundo garantidor para ampliar crédito rural

Proposta pode destravar até R$ 80 bilhões em financiamentos e beneficiar produtores de Mato Grosso do Sul na próxima safra

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Representantes de algumas das principais entidades do agronegócio brasileiro encaminharam ao Governo Federal uma proposta para criação de um Fundo Garantidor voltado ao crédito de custeio rural, medida que busca ampliar o acesso dos produtores aos financiamentos necessários para o plantio da próxima safra. 

A iniciativa reúne a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Aprosoja Brasil, Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Segundo as entidades, o objetivo é enfrentar as dificuldades de acesso ao crédito em um momento de margens mais apertadas, aumento dos custos financeiros e maior rigor dos bancos na análise de risco.

O modelo prevê um aporte inicial de R$ 8 bilhões do Tesouro Nacional em uma carteira segregada dentro do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI-PEAC).

De acordo com os estudos apresentados, esse valor poderia alavancar até R$ 80 bilhões em operações de custeio rural, fortalecendo a capacidade de financiamento do setor produtivo. 

A proposta ganha relevância para Mato Grosso do Sul, um dos principais estados produtores de soja, milho, algodão e carne bovina do país.

Com a expansão da produção agrícola e o crescimento dos investimentos em agroindústrias, o acesso ao crédito tornou-se um dos fatores mais estratégicos para manter a competitividade do setor. 

Pelo modelo sugerido, os bancos continuariam responsáveis pela análise de risco das operações, enquanto os produtores contribuiriam com 1% do valor de cada financiamento garantido, fortalecendo o patrimônio do fundo e compartilhando responsabilidades entre todos os participantes. 

Segundo as entidades, o principal problema atualmente não é a falta de recursos nos programas de crédito rural, mas a dificuldade de muitos produtores apresentarem garantias suficientes para novas operações.

Em vários casos, agricultores permanecem adimplentes, mas encontram obstáculos para renovar ou ampliar financiamentos devido ao comprometimento de patrimônio já utilizado em operações anteriores. 

Para o agronegócio sul-mato-grossense, a criação de um fundo garantidor pode representar maior segurança financeira para produtores que precisam investir em custeio, aquisição de insumos e manutenção da produção, especialmente diante da volatilidade dos mercados e das oscilações climáticas que afetam as safras. 

A proposta ainda depende de análise do Governo Federal, mas já é vista pelo setor como uma alternativa capaz de fortalecer o financiamento agrícola e garantir a continuidade da produção em um dos segmentos mais importantes da economia brasileira.

Fonte: Abrapa, CNA, Aprosoja Brasil.