Rastreabilidade total do gado passa a ser exigida e pode transformar a pecuária brasileira

Novo sistema entra em vigor para atender exigências da União Europeia e reforça a importância do controle sanitário e da transparência na cadeia da carne bovina.

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A pecuária brasileira iniciou uma nova fase nesta terça-feira (1º), com a entrada em vigor de um sistema de rastreabilidade voltado ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

A medida foi adotada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para atender às novas exigências da União Europeia, um dos principais mercados para a carne bovina brasileira. 

O novo modelo prevê o acompanhamento do ciclo de vida dos animais, registrando informações sobre origem, movimentação entre propriedades e histórico sanitário.

O objetivo é comprovar que os bovinos destinados ao mercado europeu atendem aos critérios estabelecidos pelo bloco, especialmente em relação ao uso de medicamentos antimicrobianos. 

A mudança está relacionada às regras anunciadas pela União Europeia, que formalizou em 2023 a proibição da importação de produtos de origem animal provenientes de sistemas que utilizam determinados antimicrobianos.

O prazo para adequação dos países exportadores termina em 3 de setembro de 2026. 

Desafio maior está na bovinocultura

Entre os segmentos pecuários, a carne bovina é considerada a área de maior complexidade para adaptação. Isso porque o ciclo produtivo varia entre 24 e 36 meses, e os animais costumam passar por diferentes propriedades ao longo da criação, tornando a rastreabilidade mais desafiadora. 

Para enfrentar essa exigência, o governo publicou em junho o Protocolo de Certificação para Bovinos Livres do Uso de Medicamentos Antimicrobianos, estabelecendo critérios para identificar e certificar animais que não receberam esses produtos durante o processo produtivo. 

Já os setores de aves e suínos tendem a enfrentar menos dificuldades, devido aos ciclos produtivos mais curtos e aos sistemas integrados de produção, que facilitam o monitoramento sanitário e documental. 

Impacto para Mato Grosso do Sul

Um dos maiores produtores de carne bovina do Brasil, Mato Grosso do Sul acompanha de perto as mudanças.

O Estado possui destaque nacional tanto no tamanho do rebanho quanto na exportação de proteína animal, o que torna a adequação às exigências internacionais um tema estratégico para produtores, frigoríficos e toda a cadeia do agronegócio.

A adoção da rastreabilidade amplia a segurança alimentar, fortalece a credibilidade da carne brasileira e pode abrir novas oportunidades comerciais em mercados cada vez mais rigorosos em relação à origem e à sustentabilidade dos alimentos. 

Especialistas avaliam que a rastreabilidade não é mais apenas uma ferramenta de gestão, mas uma exigência para permanecer competitivo no comércio internacional. A tendência global é de aumento das cobranças por transparência e comprovação de boas práticas sanitárias e ambientais na produção agropecuária. 

Para a pecuária brasileira, o novo sistema representa um desafio operacional, mas também uma oportunidade de fortalecer sua posição entre os maiores exportadores de carne do mundo, agregando valor ao produto nacional e ampliando a confiança dos consumidores internacionais.