Ultrablack desafia tradição e reacende debate sobre qualidade da carne no Brasil

Cruzamento entre Angus e Zebu ganha espaço no campo e divide opiniões entre produtores

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A presença de sangue zebuíno realmente compromete o marmoreio do Angus ou o avanço do Ultrablack mostra que é possível unir qualidade e adaptação? Essa é uma discussão cada vez mais comum nas fazendas do Centro-Oeste e Norte do Brasil, regiões onde o clima impõe desafios diários à pecuária de corte.

O Angus, conhecido mundialmente pela carne premium e alto nível de marmoreio, enfrenta limitações em ambientes tropicais. Sensível ao calor, o animal sofre com estresse térmico, perda de desempenho e maiores custos de manejo, fatores que impactam diretamente a rentabilidade do produtor.

Na prática, manter animais europeus puros em condições de calor intenso exige mais investimento e atenção, o que nem sempre se traduz em eficiência produtiva.

É nesse cenário que o Ultrablack ganha protagonismo.

Resultado do cruzamento com predominância mínima de 81% de Angus e influência zebuína, geralmente Nelore ou Brahman, o animal surge como uma alternativa estratégica para sistemas produtivos tropicais.

A proposta é clara: manter o padrão de qualidade da carne Angus e, ao mesmo tempo, incorporar resistência e adaptabilidade ao clima brasileiro.

No campo, os resultados começam a chamar a atenção. O pelo mais curto, a maior tolerância ao calor e a resistência a parasitas, como o carrapato, permitem que os animais apresentem melhor desempenho em condições adversas.

Além disso, a rusticidade herdada do Zebu reduz a necessidade de intervenções sanitárias e manejo intensivo, o que impacta diretamente os custos de produção.

Apesar dos avanços, a adoção do Ultrablack ainda divide opiniões.

Produtores mais tradicionalistas defendem que qualquer inserção de sangue zebuíno compromete o marmoreio extremo — característica que tornou o Angus referência no mercado de carnes premium.

Para esse grupo, a pureza genética ainda é sinônimo de qualidade superior.

Por outro lado, criadores e técnicos que apostam no cruzamento afirmam que o Ultrablack mantém padrões suficientes para atender às exigências da indústria frigorífica, entregando carne com bom nível de marmoreio e acabamento de carcaça.

Além disso, destacam que o ganho em adaptabilidade compensa eventuais reduções marginais na qualidade, especialmente em sistemas tropicais.

O crescimento da procura por genética Ultrablack, inclusive em centrais de sêmen, indica que o mercado está atento a essa nova proposta.

Mais do que uma tendência, o cruzamento reflete uma mudança de mentalidade na pecuária nacional: produzir carne de qualidade não depende apenas da genética pura, mas da capacidade do animal de performar bem no ambiente em que está inserido.

 

 


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