Pesquisadores brasileiros criam joelho protético que se adapta ao crescimento do paciente
Tecnologia busca reduzir cirurgias e melhorar qualidade de vida, principalmente de crianças
Pesquisadores brasileiros desenvolveram um novo modelo de joelho protético com uma proposta inovadora: acompanhar o crescimento do paciente ao longo do tempo, reduzindo a necessidade de trocas frequentes do dispositivo.
A iniciativa é liderada por uma equipe do Centro Universitário FEI, em São Bernardo do Campo (SP), em parceria com o Instituto de Medicina Física e Reabilitação (IMRea) e a Universidade Federal do ABC (UFABC).
Batizado de KneeTech, o projeto ainda está na fase de protótipo, mas já sinaliza um avanço importante na área de reabilitação, especialmente para crianças e adolescentes, que costumam enfrentar múltiplas cirurgias ao longo da vida devido ao crescimento corporal.
Atualmente, próteses convencionais precisam ser substituídas conforme o paciente cresce, o que gera custos elevados, além de impactos físicos e emocionais.
A nova proposta busca resolver esse problema com um sistema adaptável, capaz de acompanhar o desenvolvimento do corpo ao longo do tempo.
Menos trocas e mais qualidade de vida
O principal diferencial do novo joelho protético está na possibilidade de ajuste gradual.
Em vez de substituir todo o dispositivo, a ideia é permitir a troca de componentes específicos, prolongando o uso da prótese e reduzindo a necessidade de novas cirurgias.
Segundo os pesquisadores, o objetivo também é reproduzir a marcha humana de forma mais natural, adaptando o funcionamento do dispositivo às diferentes fases da vida do usuário.
Isso pode contribuir para maior conforto, menor gasto de energia ao caminhar e redução de sequelas ao longo do tempo.
Tecnologia e personalização
O desenvolvimento do protótipo envolveu estudos de modelos já existentes no mercado e a aplicação de tecnologias como impressão 3D.
Os primeiros testes utilizam materiais poliméricos, como PLA e ABS, com previsão de evolução para versões em metais como alumínio, titânio e aço.
A proposta acompanha uma tendência global na área de próteses: dispositivos cada vez mais personalizados, capazes de se adaptar ao corpo e às necessidades específicas de cada paciente.
Hoje, já existem soluções que ajustam resistência, simulam melhor o movimento natural das articulações e aumentam a estabilidade durante a locomoção.
Impacto para o sistema de saúde
A inovação pode ter impacto relevante no Brasil, onde a demanda por próteses cresce ano após ano.
O envelhecimento da população e doenças como diabetes e problemas vasculares ampliam o número de pessoas que dependem desse tipo de tecnologia.
Nesse contexto, uma prótese que dure mais tempo e exija menos intervenções cirúrgicas pode reduzir custos para pacientes e também para o sistema de saúde, além de ampliar o acesso a soluções mais modernas.
Próximas etapas
Apesar do potencial, o KneeTech ainda passará por testes mecânicos e, posteriormente, ensaios clínicos antes de chegar ao uso em pacientes.
A expectativa dos pesquisadores é que o desenvolvimento evolua gradualmente até alcançar aplicações práticas.