CAPES abre 300 bolsas de pós-doutorado com auxílio de R$ 5,2 mil por mês

Programa inédito apoia mães pesquisadoras e segue com inscrições em ciclos ao longo de 2026 e 2027

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A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) lançou um edital que prevê a concessão de até 300 bolsas de pós-doutorado em todo o Brasil, com auxílio mensal de R$ 5,2 mil.

A iniciativa faz parte do Programa Aurora — Continuidade da Trajetória de Mães Cientistas, criado com o objetivo de apoiar pesquisadoras durante o período de maternidade e garantir a continuidade de suas atividades acadêmicas e científicas. 

A CAPES é um órgão vinculado ao Ministério da Educação responsável por avaliar, financiar e fortalecer a pós-graduação no país.

Entre suas principais atribuições estão a distribuição de bolsas de estudo, o acompanhamento da qualidade dos cursos de mestrado e doutorado e o incentivo à produção científica.

Na prática, a instituição é uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento da pesquisa acadêmica no Brasil, atuando diretamente na formação de pesquisadores e na consolidação de programas de pós-graduação em diferentes áreas do conhecimento.

O Programa Aurora foi estruturado para enfrentar um dos principais desafios da carreira científica: a dificuldade de conciliar a maternidade com a produção acadêmica.

A proposta permite que professoras vinculadas a programas de pós-graduação indicarem pesquisadores de pós-doutorado para atuarem como apoio técnico em suas atividades, mantendo o ritmo de pesquisa, orientação e produção científica mesmo durante períodos mais exigentes da vida pessoal. 

Cada bolsa ofertada terá o valor de R$ 5.200 mensais e duração de até 24 meses.

O investimento global previsto no programa chega a aproximadamente R$ 37,4 milhões, evidenciando o esforço do governo federal em desenvolver políticas voltadas à permanência de mulheres na ciência e à promoção da equidade de gênero no ambiente acadêmico. 

Podem participar do edital professoras permanentes ou colaboradoras vinculadas a programas de pós-graduação reconhecidos pela CAPES, desde que estejam grávidas a partir do segundo trimestre, sejam mães de crianças com até dois anos ou tenham formalizado adoção ou guarda recente.

O programa também contempla mães de crianças com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento, independentemente da idade dos filhos, ampliando o alcance da política de inclusão. 

Outro destaque do edital é a adoção de critérios de inclusão, com a reserva de pelo menos 30% das bolsas para pessoas pretas, pardas, indígenas ou quilombolas e 10% para pessoas com deficiência.

A medida busca reduzir desigualdades históricas na ciência brasileira e ampliar a diversidade no ambiente universitário.

As inscrições não ocorrem em um único prazo fixo, como em editais tradicionais.

O programa funciona em ciclos mensais de submissão e análise.

O primeiro ciclo teve prazo até 5 de junho de 2026, mas novas oportunidades continuam sendo abertas ao longo dos meses.

O edital segue válido até dezembro de 2027 ou até o esgotamento dos recursos disponíveis, o que permite que candidatas participem em etapas futuras caso percam um prazo inicial.

Para acompanhar os ciclos de inscrição, é necessário acessar diretamente a plataforma digital da CAPES, além de monitorar os canais oficiais da instituição e os calendários internos dos programas de pós-graduação.

Isso ocorre porque a submissão das propostas não é individual: ela envolve a docente candidata e o programa de pós-graduação ao qual está vinculada, o que exige articulação institucional.

Ao unir investimento financeiro, ações afirmativas e foco em um público específico, o Programa Aurora se consolida como uma iniciativa voltada à permanência feminina na ciência.

Mais do que ampliar o número de bolsas, a política busca garantir que pesquisadoras não interrompam suas trajetórias profissionais em momentos críticos, contribuindo para a continuidade da produção científica e para o fortalecimento do sistema de pós-graduação no Brasil.


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