EUA compram única mina de terras raras em operação no Brasil por US$ 2,8 bilhões

Negócio coloca país no centro da disputa global por minerais estratégicos usados em tecnologia e defesa

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A empresa americana USA Rare Earth anunciou, segunda-feira (20), a aquisição da Serra Verde Group, controladora da única mina de terras raras em produção em larga escala no Brasil. Avaliado em US$ 2,8 bilhões — o equivalente a cerca de R$ 15,7 bilhões —, o negócio reposiciona o Brasil no tabuleiro da disputa geopolítica internacional por minerais estratégicos.

A operação envolve a mina Pela Ema, localizada em Minaçu, no norte de Goiás. Trata-se da única mina fora da Ásia que explora terras raras do tipo argila iônica, consideradas mais eficientes e menos agressivas do ponto de vista ambiental. A Serra Verde iniciou a produção comercial em 2024 e já possui contrato de fornecimento de longo prazo.

Detalhes da transação

De acordo com o comunicado, a USA Rare Earth fará o pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro, além da emissão de aproximadamente 126,9 milhões de novas ações da companhia. O acordo prevê a integração completa da cadeia produtiva, incluindo extração, processamento e fabricação de ímãs permanentes — itens estratégicos para a indústria de alta tecnologia.

O contrato inclui ainda um acordo de fornecimento com duração mínima de 15 anos, com preços mínimos garantidos, o que assegura previsibilidade financeira à operação. A conclusão da transação está prevista para o terceiro trimestre de 2026, após a obtenção das autorizações regulatórias e aprovação dos acionistas.

Por que as terras raras são estratégicas

As chamadas terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a produção de tecnologias modernas e de alto valor agregado. Esses minerais são essenciais para:

Motores de veículos elétricos Turbinas de energia eólica Smartphones e equipamentos eletrônicos
Sistemas de defesa, telecomunicações e tecnologia aeroespacial

Atualmente, a China domina entre 80% e 90% da produção e do refino mundial desses minerais, o que gera preocupação estratégica em países como os Estados Unidos. O movimento de aquisição no Brasil faz parte de um esforço para diversificar a cadeia global de suprimentos e reduzir a dependência chinesa.

Impactos para o Brasil e para Goiás

Com a entrada do capital americano, a expectativa é de novos investimentos para ampliação da mina, incluindo uma segunda fase do projeto que pode dobrar a capacidade produtiva. Executivos da Serra Verde afirmam que o aporte será decisivo para acelerar pesquisas, aumentar a escala e consolidar Minaçu como polo estratégico do setor.

A cidade goiana, que tem cerca de 27 mil habitantes, pode se beneficiar com geração de empregos, arrecadação e investimentos indiretos. No entanto, o negócio também reacende o debate sobre o papel do Brasil na cadeia global de valor, especialmente quanto ao risco de o país se limitar à exportação de matéria-prima.

A Serra Verde já havia recebido US$ 565 milhões em financiamento da DFC, agência de desenvolvimento do governo dos Estados Unidos, o que evidencia o interesse estratégico americano no projeto desde fases iniciais.

Tema sensível e de alcance global

A aquisição da única mina de terras raras em operação no Brasil representa um marco econômico e geopolítico. Ao mesmo tempo em que abre espaço para investimentos e desenvolvimento tecnológico, levanta questionamentos sobre soberania nacional, política mineral e agregação de valor dentro do país.

Trata-se, sem dúvida, da notícia de maior relevância econômica e estratégica do dia, com reflexos que ultrapassam o setor mineral e alcançam áreas como indústria, diplomacia e segurança internacional.