Dourados decreta calamidade em saúde pública após avanço da chikungunya
Município ultrapassa 6,1 mil casos prováveis e enfrenta superlotação da rede hospitalar
O prefeito de Dourados decretou situação de calamidade em saúde pública diante do agravamento da epidemia de chikungunya, que provocou forte aumento na procura por atendimentos e levou ao colapso da rede municipal de saúde.
A medida foi oficializada no dia 20 de abril, por meio de edição extraordinária do Diário Oficial, e tem validade inicial de 90 dias.
De acordo com dados da prefeitura, o município registra mais de 6.186 casos prováveis de chikungunya, com taxa de positividade de 64,9%, o que indica ampla circulação do vírus. A pressão sobre o sistema público resultou em ocupação de leitos hospitalares em torno de 110%, dificultando o atendimento inclusive de pacientes em estado grave.
A decisão foi tomada após recomendações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado para coordenar o enfrentamento da doença tanto na Reserva Indígena de Dourados quanto nos bairros da cidade. O crescimento acelerado de casos, o aumento das internações e a confirmação de óbitos associados à chikungunya pesaram na decretação da calamidade.
Sintomas da chikungunya
A chikungunya é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e pode causar sintomas intensos e debilitantes. Entre os principais estão:
Febre alta de início repentino; Dores fortes nas articulações, especialmente mãos, pés, joelhos e tornozelos; Dores musculares; Dor de cabeça; Manchas vermelhas na pele; Cansaço extremo;
Em alguns casos, inchaço e rigidez articular persistente, que pode durar meses.
A prefeitura alerta que pessoas com febre e dores intensas devem procurar imediatamente uma unidade de saúde, evitando a automedicação.
Antes do decreto de calamidade, o município já havia adotado outras medidas: em 20 de março, foi decretada situação de emergência em saúde pública, seguida pela emergência em Defesa Civil, em 27 de março, nas áreas mais afetadas. O avanço da epidemia, no entanto, tornou necessária a ampliação das ações.
Com a decretação da calamidade, o município fica autorizado a adotar medidas excepcionais, como contratações emergenciais, reforço das equipes de saúde, intensificação das ações de combate ao mosquito transmissor e reorganização dos fluxos de atendimento, com apoio da rede regional, estadual e federal.
A administração municipal reforça que a colaboração da população é essencial para conter a doença, destacando a importância da eliminação de criadouros do mosquito, da atenção aos sintomas e do cumprimento das orientações das autoridades de saúde.