Três Lagoas vende 30 t de peixe fresco em dois dias de Feira do Peixe
Realizado na Feira Central nos dias 1º e 2 de abril, o evento reuniu pescadores e produtores regionais e atraiu grande público às vésperas da Páscoa.
Divulgação
A Feira do Peixe de Três Lagoas encerrou sua edição de 2025 com um resultado expressivo: aproximadamente 30 toneladas de pescado fresco comercializadas ao longo de apenas dois dias. O evento, organizado pela Prefeitura Municipal e realizado na Feira Central nos dias 1º e 2 de abril, reuniu pescadores artesanais e produtores da região em torno de uma vitrine que mistura economia local, tradição cultural e abastecimento direto ao consumidor.
O timing não é coincidência. A proximidade com a Páscoa amplia naturalmente a demanda por proteína de origem aquática, e a feira surge como resposta organizada a esse movimento sazonal — conectando quem produz a quem consome, sem atravessadores, com preço acessível e rastreabilidade garantida. Para os pequenos produtores, trata-se de uma das poucas oportunidades no ano de escoar o estoque diretamente ao público e garantir renda de forma concentrada.
Tilápia, pacu e pintado lideraram as vendasEntre as espécies disponíveis nas bancas, três se destacaram pela procura: tilápia, pacu e pintado. A combinação reflete tanto a produção local em tanques e viveiros quanto o perfil de consumo da população três-lagoense, habituada ao peixe de água doce típico da bacia do rio Paraná, que corta a região. A oferta diversificada contribuiu para manter o fluxo de compradores constante durante os dois dias, sem escassez de produtos nas primeiras horas, problema que costuma ocorrer em feiras menores e mal dimensionadas.
A estrutura logística montada pela Prefeitura — bancas padronizadas, apoio à organização do espaço e suporte aos feirantes — foi apontada como fator determinante para o bom desempenho das vendas. Quando o ambiente é organizado, o consumidor fica mais tempo e compra mais; quando o produtor tem suporte, consegue expor melhor o produto. Essa equação simples explica, em boa parte, as 30 toneladas comercializadas em 48 horas.
Renda e visibilidade para quem produz na regiãoAlém do volume comercializado, a Feira do Peixe cumpre um papel que vai além da transação financeira: ela posiciona o produtor local no centro da cadeia. Em um município que integra a região do Bolsão Sul-Mato-Grossense, onde a piscicultura vem crescendo como alternativa de renda complementar ao agronegócio, ter um canal direto de venda é estratégico. Pequenos criadores que normalmente dependem de atravessadores ou de preços tabelados em frigoríficos encontram na feira uma margem mais justa e visibilidade que o mercado convencional raramente oferece.
A iniciativa também dialoga com políticas estaduais de incentivo à aquicultura em Mato Grosso do Sul, estado que possui condições naturais privilegiadas para a criação de peixes de água doce — rios caudalosos, clima favorável e tradição pesqueira consolidada no Pantanal e nas bacias do interior. Fortalecer esses elos locais é parte do esforço para que a produção regional não se perca para mercados de outros estados.
Evento no calendário e perspectiva para os próximos anosA regularidade da Feira do Peixe em Três Lagoas já garante a ela um lugar no calendário municipal. Edições bem-sucedidas criam expectativa e fidelizam tanto produtores quanto compradores — o que tende a ampliar a participação e o volume negociado nas próximas realizações. A consolidação do evento como referência regional pode ainda atrair produtores de municípios vizinhos, aumentando a diversidade de espécies e a escala da oferta.
Para os moradores de Três Lagoas e da região, a feira representa algo concreto: peixe fresco, de procedência conhecida, a preço justo, comprado diretamente de quem criou. Em um momento em que a cadeia alimentar enfrenta pressões de custo e desconfiança sobre a origem dos alimentos, esse elo direto entre produtor e consumidor tem valor que vai além do quilograma vendido.
Fontes: PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS