Bonito mira certificação Lixo Zero com gestão de resíduos no Polo de Ecoturismo

Sebrae/MS estrutura sistema de descarte e reciclagem na unidade de Bonito, que já desvia 86% dos resíduos de aterros sanitários

Por

Divulgação

O Polo Sebrae de Ecoturismo de Bonito está a um passo de conquistar a certificação Lixo Zero: o espaço já consegue desviar 86% dos resíduos de aterros sanitários e precisa chegar a 90% para obter o selo — meta que a equipe projeta alcançar em breve após implantar, com apoio de consultoria especializada, um sistema completo de triagem, pesagem e destinação correta de materiais no prédio da instituição, em Bonito, no Pantanal Sul.

A iniciativa não é apenas uma ação interna do Sebrae/MS: ela carrega um peso simbólico importante. Bonito é uma das marcas turísticas mais reconhecidas do Brasil e do mundo justamente por seu compromisso com a natureza. Qualquer descaso ambiental — mesmo dentro de uma instituição de apoio ao empreendedorismo — contraria a identidade do destino. Por isso, o projeto vai além da gestão de lixo: é uma declaração de coerência entre o que se prega ao setor turístico e o que se pratica no dia a dia.

De diagnóstico a rotina: como o sistema foi construído

O ponto de partida foi um levantamento minucioso sobre o que era gerado e para onde ia cada tipo de resíduo dentro do prédio. O resultado mostrou que não havia, até então, uma gestão estruturada — apenas boas intenções esparsas. A partir daí, a equipe reorganizou os fluxos de descarte, instalou pontos de coleta por categoria de material e passou a realizar triagem e pesagem antes de encaminhar cada item para reciclagem, compostagem ou reaproveitamento.

"Contratamos uma consultoria especializada para nos orientar. A partir do diagnóstico percebemos que ainda não havia uma gestão estruturada de resíduos. Implantamos a separação correta das diferentes classes de materiais, reorganizamos os fluxos de descarte e capacitamos tanto a equipe do Sebrae quanto os colaboradores terceirizados", explicou Tamires Domingues Tavares, analista-técnica do Sebrae/MS responsável pela implementação. O controle sistemático permite rastrear cada resíduo até sua destinação final, com registros e relatórios periódicos.

Lixo Zero não é utopia: é método

A certificação perseguida pelo Polo de Ecoturismo segue uma metodologia clara: não se trata de deixar de produzir resíduos — algo impossível em qualquer operação —, mas de garantir que pelo menos 90% do material gerado não vá parar em aterros ou seja incinerado. A hierarquia adotada prioriza a não geração, a redução, a reutilização, a reciclagem, a compostagem e a logística reversa, nessa ordem.

A startup Ciclo Azul, contratada como consultoria do projeto, acompanha todo o processo. "Ser Lixo Zero significa adotar um sistema de gestão que busca reduzir ao máximo o envio de resíduos para aterros ou lixões. Isso envolve repensar processos, incentivar a separação correta dos materiais e garantir que cada tipo de resíduo tenha uma destinação ambientalmente adequada", detalhou Raquel Kmite, representante da Ciclo Azul. A educação ambiental passou a integrar a rotina do espaço, com treinamentos regulares e estratégias para sensibilizar visitantes e usuários do polo.

Bonito como vitrine — e como modelo para o estado

O gerente da Regional Oeste do Sebrae/MS, Matheus Oliveira, ressalta que o projeto tem dois objetivos simultâneos: consolidar Bonito como referência em turismo sustentável e criar um modelo replicável para outras unidades do Sebrae no estado. "Estamos em um polo de ecoturismo e isso exige coerência entre discurso e prática ambiental. A experiência também servirá de referência para ampliar essa atuação em outras unidades em Mato Grosso do Sul", afirmou.

A ação está alinhada à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), que estabelece a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Para Mato Grosso do Sul — estado que tem no ecoturismo um dos pilares da economia regional —, o avanço em direção à certificação Lixo Zero em Bonito representa um sinal importante: a sustentabilidade precisa sair dos folders institucionais e aparecer, de forma mensurável, nas práticas cotidianas de quem atende e orienta o setor.

Fontes: SEBRAE/MS