Shoppings batem recorde de ocupação mesmo com avanço do e-commerce
CEO da Allos, Rafael Salles, defende que centros comerciais disputam espaço com o lazer, não com as compras online, e chegaram a quase 98% de ocupação no portfólio.
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Em meio ao crescimento acelerado das compras pela internet, os shoppings centers brasileiros registraram seu melhor índice histórico de ocupação — e o executivo à frente da Allos, maior administradora de shoppings do país, tem uma explicação para esse aparente paradoxo: lojas físicas e e-commerce simplesmente não brigam pelo mesmo cliente. Rafael Salles, CEO da companhia, defende que os dois modelos se encaixam em momentos distintos da jornada de consumo, e que o varejo presencial só tem a ganhar com essa convivência.
A tese vai na contramão do discurso que dominou o setor por anos, quando o avanço do comércio eletrônico era tratado como ameaça existencial às lojas físicas. A pandemia aprofundou esse temor, acelerando o hábito das compras digitais em toda a cadeia de consumo. O que o mercado observa agora, porém, é que o público voltou aos corredores dos shoppings — e em número crescente.
Encontro, não vitrine: o que o e-commerce não entregaPara Salles, a chave para entender a resiliência dos shoppings está no comportamento humano, não na disputa por preço ou conveniência. "O e-commerce cresceu muito e de uma forma muito competente. É uma conveniência, de fato, é muito fácil, muito agradável consumir via o e-commerce também, mas a gente tem algo que o e-commerce não tem", afirmou o executivo. Esse diferencial, segundo ele, é a dimensão social: o encontro entre pessoas, a experiência compartilhada, o deslocamento intencional até um espaço comum.
"Nós promovemos o encontro. As pessoas se conhecem, se encontram no shopping. Então, o shopping não é um produto que compete com o e-commerce", resumiu Salles. Na sua leitura, os verdadeiros concorrentes dos centros comerciais são outras formas de ocupar o tempo livre — parques, cinemas independentes, restaurantes de bairro, eventos culturais. O e-commerce compete por compra; o shopping compete por presença.
Quase 98% de ocupação: o dado que sustenta o argumentoOs números da Allos reforçam a visão do executivo. A empresa encerrou o último ciclo com a maior taxa de ocupação de toda a sua trajetória: mais de 97%, beirando 98% na média consolidada do portfólio. "A gente terminou o ano agora com a maior ocupação da história nos nossos shoppings, com mais de 97, quase 98% de ocupação na média do portfólio. E depois de ter passado por uma pandemia", destacou Salles. O dado é relevante porque a Allos opera dezenas de empreendimentos espalhados pelo Brasil, o que torna a média uma referência robusta para o setor como um todo.
O desempenho indica que marcas continuam apostando no ponto físico como parte essencial de sua estratégia, mesmo as que já possuem operações digitais consolidadas. Salles aponta que os shoppings funcionam como plataforma de visibilidade e de integração entre o mundo online e o presencial — espaços onde o consumidor experimenta, toca e decide, e onde as marcas reforçam identidade e relacionamento.
O que esse movimento significa para o varejo em Mato Grosso do SulO cenário nacional tem reflexo direto no comportamento do varejo em Mato Grosso do Sul. Campo Grande abriga shoppings de grande porte que, nos últimos anos, ampliaram a oferta de serviços, gastronomia e entretenimento — exatamente o caminho apontado por Salles como resposta ao e-commerce. A diversificação do mix de lojas, com mais espaço para experiências e menos dependência do varejo de moda puro, é uma tendência que já se observa nos empreendimentos da capital sul-mato-grossense.
Para o lojista local, a mensagem do CEO da Allos traz um elemento de alívio: o crescimento das plataformas digitais não decretou o fim da loja física, mas exige que ela justifique o deslocamento do cliente. Quem consegue entregar experiência, atendimento e ambiente — e não apenas produto — tende a ocupar esse espaço que o e-commerce, por natureza, não consegue preencher. "O ser humano é gregário, então as pessoas querem se encontrar", concluiu Salles, sintetizando uma lógica que vai além do varejo e toca algo mais fundamental no comportamento do consumidor contemporâneo.
Fontes: CNN BRASIL, ALLOS