Pílula emagrecedora da Eli Lilly chega ao mercado dos EUA por US$ 149 ao mês

FDA aprova Foundayo, versão oral do princípio ativo do Mounjaro, abrindo nova fase na disputa entre gigantes farmacêuticas pelo mercado de obesidade

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O mercado de medicamentos para obesidade acaba de ganhar um novo capítulo. A agência regulatória americana FDA (Food and Drug Administration) aprovou, no início de abril de 2026, o Foundayo — comprimido diário desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly para controle de peso. Com preço de entrada de US$ 149 por mês, o lançamento consolida a chamada "guerra das pílulas" entre as maiores fabricantes de remédios antiobesidade do mundo.

  • O quê: Aprovação do Foundayo, pílula emagrecedora da Eli Lilly, pelo FDA dos Estados Unidos
  • Quando: Abril de 2026
  • Onde: Estados Unidos — com impacto global no mercado farmacêutico
  • Impacto: Amplia o acesso a medicamentos GLP-1 em formato oral, potencialmente influenciando preços e disponibilidade no Brasil
Foundayo: o que é e como funciona a nova pílula da Eli Lilly

O Foundayo tem como princípio ativo o orforglipron, composto originalmente desenvolvido pela japonesa Chugai e licenciado pela Lilly em 2018 por apenas US$ 50 milhões — valor considerado baixo diante do potencial bilionário que o mercado de GLP-1 viria a representar. O medicamento atua na mesma classe farmacológica do Mounjaro e do Zepbound, ambos da Lilly, mas com uma diferença crucial: vem em comprimido, sem necessidade de injeção semanal.

Diferentemente do Wegovy em pílula, lançado pela dinamarquesa Novo Nordisk no início deste ano e que exige ingestão pela manhã em jejum, o Foundayo pode ser tomado a qualquer hora do dia, sem restrição de alimentos ou bebidas. Para o CEO da Lilly, Dave Ricks, essa praticidade é o grande diferencial: "Teremos uma opção que não é mais eficaz, mas é mais acessível e mais fácil de incorporar à rotina diária", afirmou em entrevista à CNBC.

Eficácia comparada: pílulas ainda ficam atrás das versões injetáveis

Os dados clínicos mostram que o Foundayo promoveu redução média de 12,4% do peso corporal após 72 semanas de uso. O resultado é inferior ao registrado pelo comprimido de Wegovy, cuja semaglutida oral alcançou perda média de 16,6% em 64 semanas. Nas versões injetáveis, os dois laboratórios superam a marca de 20% de redução de peso — o que reforça que as canetas ainda lideram em termos de eficácia.

Mesmo assim, a Lilly aposta que a conveniência da pílula compensará a diferença nos resultados. O CFO da empresa, Lucas Montarce, resumiu a aposta ao Wall Street Journal: "Tudo se resume à simplicidade e à praticidade. Você não precisa se preocupar se bebeu água ou comeu algo nos últimos 30 minutos". O lançamento já repercutiu no mercado financeiro: as ações da Eli Lilly fecharam em alta de 3,8% no dia do anúncio, embora ainda acumulem queda de 11% no ano.

Preços e impacto no acesso ao tratamento da obesidade no Brasil

Tanto o Foundayo quanto o Wegovy em comprimido chegam ao mercado americano pelo mesmo preço: US$ 149 mensais para a dose inicial e US$ 349 por mês nas doses mais elevadas. Os valores foram negociados no âmbito de um acordo firmado com o Governo Trump no ano passado. Para americanos com plano de saúde, o custo pode cair drasticamente — chegando a apenas US$ 25 ao mês.

No Brasil, os medicamentos GLP-1 ainda têm preços proibitivos para boa parte da população, e o acesso pelo SUS é restrito. A chegada das versões orais ao mercado global aumenta a pressão por regulamentação e incorporação desses tratamentos em políticas públicas de saúde. Para moradores de Mato Grosso do Sul, onde a obesidade e o diabetes tipo 2 figuram entre as principais causas de internações e mortalidade evitável, a evolução desse mercado tem relevância direta — tanto pela possibilidade futura de acesso quanto pelo debate sobre saúde pública que esses lançamentos impulsionam em todo o país.

Com o sucesso da pílula de Wegovy — que já acumula 600 mil prescrições nos EUA desde seu lançamento — e agora a entrada do Foundayo, a disputa entre Novo Nordisk e Eli Lilly entra em nova fase. Analistas do setor avaliam que a Lilly, atualmente líder de vendas nas versões injetáveis, tem boas condições de repetir o feito no segmento oral, especialmente pela vantagem da flexibilidade posológica do novo comprimido.

Fontes: FDA, ELI LILLY, NOVO NORDISK