Justiça afasta diretoria da Santa Casa de Campo Grande

MPMS obteve decisão cível após operação que apura desvio de R$ 4,9 milhões; gestor provisório assume para manter atendimento do SUS

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Reprodução/mpms.mp.br (imagem ilustrativa)

A cúpula administrativa da Santa Casa de Campo Grande perdeu o comando do hospital nesta quinta-feira (24 de setembro de 2026). A Justiça de Mato Grosso do Sul, atendendo a um pedido do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), determinou o afastamento cautelar de toda a Diretoria Corporativa e dos membros do Conselho de Administração da instituição, colocando em seu lugar um gestor provisório indicado para tomar as rédeas da maior santa casa do Estado.

A decisão não nasce isolada. Ela é uma continuação direta da Operação Antidotum, deflagrada em 11 de setembro de 2026 pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ambos vinculados ao MPMS. Àquela época, a ofensiva já havia resultado em seis prisões preventivas e 36 buscas e apreensões espalhadas entre Campo Grande, Dourados e Goiânia, mirando supostos esquemas de desvio dentro da administração hospitalar.

O que a investigação apurou até agora

Segundo o MPMS, um dos focos da apuração é um contrato de digitalização de prontuários assinado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande. O acordo previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano, ao longo de três anos, somando R$ 5,4 milhões — e, conforme o órgão, cerca de R$ 1,4 milhão teria sido desviado apenas no primeiro ano de execução.

Há ainda uma segunda frente de investigação, ligada à Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela própria associação. O Ministério Público identificou contratos dessa operadora com empresas de um mesmo grupo econômico que, em 2025, receberam cerca de R$ 9,6 milhões, com um prejuízo estimado em pelo menos R$ 3,5 milhões. Somando as duas frentes, os danos já mapeados pelo MPMS superam R$ 4,9 milhões — valor que o próprio órgão classifica como parcial, já que a apuração continua. É importante lembrar que as prisões têm caráter preventivo e que as conclusões da investigação ainda passarão pelo crivo da Justiça, não configurando condenação.

Atrasos salariais e falta de remédios preocupam CRM-MS

A urgência da medida cautelar cível ficou mais clara depois de uma reunião realizada em 23 de setembro de 2026 entre representantes do MPMS e do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS). Segundo o Ministério Público, o conselho relatou naquele encontro atrasos no pagamento de salários e escassez de insumos e medicamentos dentro do hospital — um retrato que reforçou, na avaliação dos promotores, a necessidade de trocar a gestão para não comprometer o atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Com o novo gestor provisório em exercício, a expectativa do MPMS é que a instituição passe por um diagnóstico completo de sua situação financeira, com ajustes administrativos que impeçam a paralisação dos serviços. Enquanto o processo avança, pacientes com consultas ou cirurgias já agendadas na Santa Casa de Campo Grande devem confirmar diretamente com o hospital se os atendimentos seguem normalmente. A crise já havia gerado instabilidade recente na presidência da instituição, que teve três presidentes em apenas 11 dias antes da intervenção judicial desta semana.

Fontes: MINISTÉRIO PÚBLICO DE MATO GROSSO DO SUL; HORA MS