Peixe na Semana Santa: cuidados na compra e preparo que você precisa ter
Nutricionistas alertam para riscos que vão da escolha no mercado ao modo de preparo e podem comprometer os benefícios do alimento.
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Com a chegada da Semana Santa, o consumo de peixe dispara nos mercados de todo o país — e em Mato Grosso do Sul não é diferente. O estado, com rios como o Aquidauana, Miranda e Paraguai, tem tradição com o pescado, mas boa parte dos consumidores ainda comete erros na hora de escolher, armazenar e preparar o alimento, o que pode colocar em risco a saúde de toda a família durante o feriado.
- O quê: erros comuns na compra e preparo de peixes na Semana Santa
- Quando: Semana Santa — período que antecede a Páscoa
- Onde: supermercados, feiras e cozinhas domésticas
- Impacto: riscos à saúde por contaminação ou perda dos benefícios nutricionais do pescado
Antes de falar sobre os cuidados necessários, vale entender o que está em jogo nutricionalmente. Segundo o nutricionista Ícaro Cazumbá, conselheiro do Conselho Federal de Nutrição (CFN) e doutorando em Alimentos, Nutrição e Saúde pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), os peixes fornecem proteínas com todos os aminoácidos essenciais que o organismo humano precisa — mas não consegue produzir sozinho. "São proteínas de alto valor biológico, que contêm todos os aminoácidos essenciais necessários ao organismo", explica o especialista. Além disso, o consumo regular está associado à redução do risco de doenças cardiovasculares, especialmente quando substitui carnes com alto teor de gordura saturada. O perfil nutricional inclui ainda vitamina B12, vitamina D, fósforo, selênio, iodo, potássio, magnésio e o famoso ômega-3 — ácido graxo que contribui para reduzir o colesterol LDL e protege o sistema nervoso, a imunidade e a saúde óssea e muscular.
Bacalhau, tilápia e salmão: qual escolher e o que diferencia cada umOs três peixes mais consumidos na Semana Santa têm perfis nutricionais parecidos, mas com diferenças importantes. A nutricionista Tarcila Campos, do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, aponta que todos são boas fontes de proteínas e minerais, mas o teor de ômega-3 varia bastante. "O bacalhau tem um pouco de ômega-3, mas não está entre os peixes mais ricos nesse nutriente. A tilápia tem ainda menos, quando comparada a sardinha e salmão", afirma a especialista. Para quem busca potencializar os benefícios cardiovasculares, o salmão leva vantagem — embora o custo mais elevado seja um fator real para as famílias sul-mato-grossenses. A tilápia, amplamente produzida no estado, é uma opção acessível e nutritiva, desde que preparada corretamente.
Os erros mais comuns que colocam a saúde em risco — e como evitá-losO problema começa, muitas vezes, ainda na gôndola do supermercado. Comprar peixe de procedência desconhecida, sem verificar odor, textura e validade, é o primeiro deslize. Pescados frescos devem ter cheiro suave de mar, olhos brilhantes (nos inteiros), guelras avermelhadas e carne firme ao toque. Já os congelados precisam estar sem sinais de queima por gelo ou embalagem danificada. Na cozinha, os riscos se multiplicam: descongelar o peixe fora da geladeira em temperatura ambiente favorece a proliferação de bactérias. O correto é transferir o alimento do freezer para a geladeira horas antes do preparo, ou usar o micro-ondas em modo descongelamento. Outro erro frequente é o uso excessivo de fritura com óleo em alta temperatura, que destrói parte dos ácidos graxos benéficos e eleva o valor calórico do prato. Métodos como grelha, forno, vapor ou cozimento preservam melhor os nutrientes. Por fim, acompanhamentos ricos em sódio — como molhos industrializados, farofas temperadas e frituras — podem anular boa parte dos benefícios que fazem do peixe um alimento tão recomendado por profissionais de saúde.
Em Mato Grosso do Sul, onde a pesca esportiva e o consumo de peixes regionais como o pintado, pacu e dourado fazem parte da cultura local, os cuidados com a cadeia do frio são ainda mais relevantes durante o calor intenso do outono sul-mato-grossense. Profissionais de saúde recomendam que, ao comprar em feiras livres ou direto de pescadores, o consumidor exija nota de origem e mantenha o produto em gelo até chegar em casa. Incorporar o peixe à alimentação ao longo do ano — e não apenas na Semana Santa — é o conselho unânime entre os nutricionistas consultados.
Fontes: CONSELHO FEDERAL DE NUTRIÇÃO, HOSPITAL ALEMÃO OSWALDO CRUZ