Eloy Terena assume Ministério dos Povos Indígenas e reforça protagonismo indígena no governo federal

Advogado sul‑mato‑grossense substitui Sonia Guajajara e retorna a liderança da pasta criada em 2023

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O advogado indígena Eloy Terena assumiu o comando do Ministério dos Povos Indígenas, marcando uma nova etapa na condução da política indigenista do governo federal.

Ele substitui a ministra Sonia Guajajara, que deixou o cargo para disputar as eleições de 2026, mantendo a lógica de transição interna e continuidade administrativa na pasta criada durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Eloy Terena exercia, desde 2023, a função de secretário‑executivo do ministério, posição estratégica responsável pela gestão administrativa e orçamentária da pasta. Sua chegada ao cargo de ministro consolida um movimento inédito no país: a condução da política pública para os povos originários por lideranças indígenas com formação técnica e experiência institucional, reforçando o protagonismo desses povos na formulação das decisões que impactam seus territórios e modos de vida. 

Com trajetória marcada pela atuação jurídica, Eloy Terena ganhou projeção nacional e internacional ao se tornar o primeiro advogado indígena a realizar sustentação oral no Supremo Tribunal Federal, em defesa da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Ele teve papel relevante em debates centrais da agenda indigenista, como o julgamento do marco temporal para demarcação de terras, posicionando‑se de forma técnica contra a limitação de direitos territoriais. Essa experiência passa agora a influenciar diretamente a atuação do ministério no diálogo com o Congresso Nacional, o Judiciário e outros setores do governo. 

Nascido na aldeia Ipegue, em Aquidauana (MS), ele traz para o cargo uma formação acadêmica robusta, como Doutor em Antropologia Social (UFRJ) e em Ciências Jurídicas e Sociais (UFF).

Nosso Estado concentra alguns dos mais intensos conflitos fundiários envolvendo povos indígenas e o novo ministro assume o desafio de acelerar processos de demarcação, fortalecer a proteção territorial e articular políticas públicas que envolvem saúde, educação, segurança alimentar e sustentabilidade.

Ao mesmo tempo, sua atuação deve exigir equilíbrio político e técnico para enfrentar resistências no Congresso e dialogar com o setor produtivo, sem abrir mão da defesa dos direitos constitucionais dos povos originários. 

A posse de Eloy Terena também reforça a presença de Mato Grosso do Sul na Esplanada dos Ministérios, mantendo o estado em posição de destaque na composição do governo federal.

Para analistas, sua chegada ao cargo representa um movimento de “tecnificação” da política indigenista, combinando representatividade, conhecimento jurídico e experiência administrativa em um momento decisivo para a consolidação do ministério.