Chikungunya avança em MS: 11 cidades em epidemia e 7 mortes confirmadas

Secretaria Estadual de Saúde registra casos em quase metade dos municípios sul-mato-grossenses, com concentração no Sudeste e Cone-Sul do estado.

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Mato Grosso do Sul enfrenta um surto crescente de chikungunya que já alcança 37 dos 79 municípios do estado, segundo dados do Boletim da Semana Epidemiológica divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS) em 25 de março de 2026. Ao todo, 11 cidades já foram declaradas em situação de epidemia, e o número de mortes chegou a sete óbitos confirmados — cinco em Dourados, um em Jardim e um em Bonito.

  • O quê: Surto de chikungunya com 37 municípios afetados e 11 em situação de epidemia em MS
  • Quando: Dados atualizados até 25 de março de 2026
  • Onde: Mato Grosso do Sul, com foco no Sudeste e Cone-Sul do estado
  • Impacto: Sete mortes confirmadas e risco de expansão para outros municípios ainda não afetados
Dourados no epicentro: cinco mortes e maioria entre pacientes indígenas

Dourados concentra o maior número de óbitos — todos os cinco casos fatais registrados no município envolveram pacientes indígenas. O secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, alertou para o risco de alastramento da doença. "Esse retrato mostra que a epidemia diagnosticada em Dourados pode se alastrar pelo restante do Estado caso não ocorra uma mobilização ainda maior das autoridades em saúde e endemias, bem como a participação mais efetiva da população no combate aos focos do mosquito Aedes aegypti", declarou o secretário. Equipes de combate a endemias já atuam nos bairros de Dourados para identificar e eliminar focos reprodutivos do mosquito transmissor.

Perfil dos infectados em MS difere do cenário nacional

Um dado que chama atenção nos números compilados pelo Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde é o perfil dos infectados em Mato Grosso do Sul: 57% dos casos no estado são registrados entre homens, enquanto no restante do Brasil as mulheres respondem por 58% das infecções. A faixa etária mais atingida está entre 20 e 49 anos, com destaque para os grupos de 20 a 29 anos e de 40 a 49 anos. Entre os municípios com casos confirmados além de Dourados estão Fátima do Sul, Jardim, Bonito, Aquidauana, Corumbá, Ponta Porã, Três Lagoas, Maracaju, Amambai, Sidrolândia, Caarapó, Chapadão do Sul e outras 22 cidades distribuídas por todo o estado.

O que torna a chikungunya mais perigosa do que parece

Transmitida exclusivamente pela picada da fêmea do Aedes aegypti — o mesmo mosquito responsável pela dengue e pela zika —, a chikungunya chegou às Américas em 2013 e desde então provoca surtos periódicos no Brasil. Os sintomas tendem a ser mais intensos do que os da dengue: febre alta de início abrupto e dores articulares severas são as marcas da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, essas dores nas articulações evoluem para um quadro crônico, estendendo o sofrimento do paciente por meses ou até anos. Além disso, a doença pode causar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas graves, como encefalite, mielite e síndrome de Guillain-Barré, com risco de internação e morte nos casos mais severos. Qualquer pessoa com sintomas deve buscar atendimento médico imediatamente para diagnóstico e acompanhamento adequados.

Com quase metade dos municípios sul-mato-grossenses já registrando casos, a tendência é que o próximo boletim epidemiológico apresente um número ainda maior de cidades atingidas. O cenário reforça a urgência de ações coordenadas entre estado, municípios e comunidade para eliminar criadouros do mosquito e frear o avanço da doença antes que ela alcance regiões ainda não afetadas do Centro-Oeste.

Fontes: SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MATO GROSSO DO SUL, MINISTÉRIO DA SAÚDE