Campo Grande, reconhecida como Cidade Árvores do Mundo, iniciou a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS COP15), reunindo líderes de mais de 130 países. O evento tem sido elogiado pela organização e hospitalidade da cidade, destacando a importância do Mato Grosso do Sul na conservação ambiental e no turismo sustentável. Autoridades, como o governador Eduardo Riedel e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, enfatizaram a necessidade de cooperação internacional e a proteção dos biomas locais, como o Pantanal. A COP15, que acontece pela primeira vez no Brasil, busca promover estratégias globais para a conservação e sustentabilidade.
Eleita sete vezes Cidade Árvores do Mundo, graças às suas ruas arborizadas e à convivência harmoniosa entre o urbano e a natureza, Campo Grande recebe visitantes com um traço marcante: a hospitalidade. É nesse cenário, onde araras cruzam o céu, capivaras dividem espaço com a rotina urbana e o tereré aproxima pessoas, que a capital sul-mato-grossense deu início, na manhã desta segunda-feira (23), ao primeiro dia oficial da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS COP15).
Cidade anfitriã do evento, que reúne lideranças de mais de 130 países, Campo Grande vive um momento histórico ao sediar um dos mais importantes encontros internacionais voltados à pauta ambiental.
Desde as primeiras agendas, a avaliação entre autoridades, delegações e participantes tem sido unânime: a cidade superou as expectativas. A estrutura montada, a organização e, principalmente, a receptividade da população foram pontos amplamente elogiados.
A prefeita Adriane Lopes ressaltou o protagonismo do município ao sediar o evento:
“É uma honra receber um evento dessa magnitude. Isso projeta Campo Grande e a transforma em um marco histórico, não só na pauta das aves e dos animais migratórios, mas também na forma como acolhemos todos que estão aqui.”
O presidente da COP 15, João Paulo Capobianco, reforçou o impacto positivo das delegações ao observar a convivência da cidade com a natureza.
A indígena Adikayany Aimcupie destacou a beleza e acolhimento da cidade:
“Achei um local muito bonito, com muitas árvores. É uma cidade bastante receptiva. Quero conhecer mais da cultura local, provar o tereré e descobrir a comida típica daqui.”
Com ações de conservação que incluem monitoramento ambiental, preservação de biomas e manejo sustentável, o Mato Grosso do Sul reforça parcerias internacionais e aposta no turismo sustentável. O Estado sediou, no domingo (22), o Segmento de Alto Nível que antecede a COP15.
O governador Eduardo Riedel, acompanhado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do Paraguai Santiago Peña e de lideranças de seis convenções ambientais, destacou a importância da proteção do Pantanal e dos biomas Cerrado e Mata Atlântica:
“Somos um Estado que carrega uma responsabilidade ambiental de escala global. O que diferencia o Mato Grosso do Sul é como escolhemos desenvolver. Nosso Estado passou por um processo consistente de transformação produtiva, entendendo que desenvolvimento e conservação não são opostos.”
Para a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o evento demonstra a prioridade do Brasil em conservar o Pantanal, planície alagável que abriga 190 espécies migratórias de aves:
“Precisamos de acordos, políticas integrais e compromissos conjuntos. Alinhar estratégias e proteger espécies é proteger o equilíbrio global.”
O presidente Lula destacou a importância da cooperação internacional:
“O Pantanal simboliza de forma singular a riqueza natural da América do Sul. A sobrevivência dessas espécies depende de ação coletiva.”
Sediada pela primeira vez no Brasil, a CMS COP15 reúne representantes de 133 países e cerca de 2 mil participantes, entre autoridades, cientistas e membros da sociedade civil. Ontem, no High Level Segment, foram debatidos temas como “o papel das zonas úmidas na conservação das espécies migratórias e os impactos de obras de infraestrutura”.
O governador Riedel reforçou a necessidade de combinar regulação com incentivos inteligentes:
“É preciso ouvir a ciência, alinhar produção e preservação, gerar valor a partir da natureza e posicionar o Estado como uma potência ambiental além da agropecuária. A COP15 é uma oportunidade estratégica para avançarmos nessa agenda global.”
O evento contou ainda com a presença da ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), do secretário Jaime Verruck e do secretário-adjunto Artur Falcette, ambos da Semadesc.